Pular para o conteúdo principal

Da ilusão do dia 7 para a realidade: caminhoneiros protestam, mas preço do diesel segue em alta

Imagem
Arquivo de Imagem
economia

Nada mudou para os caminhoneiros que rodaram milhares de quilômetros para apoiar Bolsonaro. Ao contrário, o preço dos combustíveis segue em alta. Porém, ao contrário do que o governo e o próprio presidente têm propagado, a culpa não é dos impostos estaduais, como explica o doutor em economia Emílio Chernavsky.

"Há tempos o presidente e seus apoiadores apontam o ICMS cobrado pelos estados como responsáveis pelos aumentos sucessivos do preço dos combustíveis. Isso não faz nenhum sentido, já que as alíquotas do tributo têm permanecido geralmente as mesmas há anos", afirma o economista.

De quem é a culpa do aumento da gasolina e do diesel?

Segundo Chernavsky, "esses aumentos são, na verdade, o resultado direto da política de preços adotada pela Petrobras ainda no governo Temer e mantida pelos dirigentes indicados por Bolsonaro". Essa política de preços, conforme explica o economista, consiste apenas no repasse das variações dos preços internacionais aos consumidores brasileiros, ainda que o Brasil seja autosuficiente na produção de petróleo.

VEJA TAMBÉM:
- Alteração do Marco Civil da Internet proposta por Bolsonaro revolta especialistas
- FGTS completa 55 anos sob risco de acabar

"Seguindo essa política, a empresa simplesmente repassa as variações nos preços internacionais dos combustíveis e no valor do dólar aos preços pagos no País. Com a instabilidade política causada pelo governo, o dólar tem se mantido em patamares elevados, e com a retomada da economia no exterior, esses preços têm aumentado, criando a atual disparada dos preços no País", esclarece Chernavsky.

Quem ganha com essa política de preços da Petrobras?

O preço do combustível não impacta apenas na vida de quem tem um carro, motocicleta ou caminhão. Assim como a energia elétrica, o aumento dos combustíveis impacta no preço de diversos bens e serviços, já que o transporte das maercadorias é quase que completamente feito por rodovias. "Os preços altos absorvem recursos daqueles que usam combustíveis em seus veículos e mesmo de quem não tem veículo, uma vez que o preço de todos os bens aumenta com o maior preço do frete", explica Chernavsky.

Contudo, enquanto quase toda a sociedade perde, poucos ganham. Com o aumento dos preços dos combustíveis, aumentam os lucros da Petrobras, assim como o de seus acionistas. Conforme elucida o economista, são diversos: entre os acionistas estão desde o Governo a agentes privados.

Chernavsky conclui que "se o governo se importasse mesmo com os preços altos dos combustíveis, a política da Petrobras já teria mudado".