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"Crise por si é grave e no Brasil piora", diz economista

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O professor do Instituto de Economia da Unicamp, Ricardo Carneiro, traçou um cenário de intensas dificuldades para a recuperação do Brasil após os impactos mais imediatos da pandemia do novo coronavírus.

Carneiro realizou nesta quarta-feira (22) uma conferência – “Economia brasileira hoje: antecedentes da crise e perspectivas” – como parte do ciclo de palestras “Economia, trabalho e proteção social em tempos de crise”.

Em sua opinião a gravidade geral da questão encontra em nosso País particularidades, históricas e atuais, que intensificam os efeitos negativos: “Talvez o preço que nós vamos pagar seja maior, por conta da nossa desigualdade estrutural, e de fatores político-institucionais”.

A segunda dimensão mencionada por Carneiro diz respeito ao que o economista chama de “duplicidade de poderes”, ou seja, “o presidente de um lado e os outros segmentos do outro, o que dificulta muito a operação da economia, das políticas sociais”, lamentou ele.

“A crise por si é grave e no Brasil piora”, sintetizou.

Soluções no Brasil

Carneiro não criticou a ideia geral do socorro governamental ao setor financeiro, mas apontou sua insuficiência. “No limite, salva o mercado financeiro, o mercado de títulos públicos, e fica o problema de como recuperar a economia à frente”, apontou.

O economista considera que ficará mais evidente a necessidade de uma reorientação na política econômica, e vê um dos ramos produtivos como fundamentais no curto prazo, justamente por sua relação com o Estado : “Significa que vai ter mais setor público. Para fazer recuperação, a meu juízo, vai depender da cadeia da construção civil, onde se pode ter uma recuperação mais rápida, dado que os mercados mundiais estarão deprimidos. A demanda [deste setor] está aqui”.

Apesar de iniciativas pontuais, o professor da Unicamp entende que outras medidas sob coordenação do Estado brasileiro poderiam estar sendo tomadas, como a indução de bancos privados a oferecerem crédito. “Passaríamos pela crise de uma forma dura, mas não tão dura quanto está se desenhando”, defende.

Apesar das dificuldades, sua exposição apontou também oportunidades para mudanças. “Uma coisa que o mundo ocidental vai reavaliar, com certeza, é a questão do [fortalecimento] do Estado de bem-estar social”.