Reconta Aí Atualiza Aí Crise dentro da crise: Dieese avalia piora na vida do trabalhador após 2016

Crise dentro da crise: Dieese avalia piora na vida do trabalhador após 2016

Em estudo chamado “Crise dentro da crise”, Dieese avalia o mercado de trabalho, a renda dos trabalhadores e a carestia dos produtos necessários à sobrevivência.

Estudo elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revela que as medidas anunciadas antes da pandemia como solução para a geração de empregos não tiveram sucesso. “A partir da implementação das reformas trabalhista, previdenciária e do teto de gastos, medidas defendidas pelo governo e apoiadores como solução para a economia brasileira, os problemas se intensificaram”, mostra o Boletim Especial 1º de Maio

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A destruição das leis trabalhistas e da previdência, aliada ao teto de gastos e outras políticas econômicas, diminuíram o acesso do trabalhador aos itens básicos de sobrevivência. E são frutos de uma escolha governamental sobre como lidar política e econômicamente com áreas como alimentos e gás de cozinha.

Desocupação cai, mas desalento e subocupação crescem desproporcionalmente

De acordo com o Dieese, um novo projeto político e econômico começou em 2016. Em seu bojo, acontecem as reformas trabalhista e previdenciária. E, mesmo antes da pandemia, já era possível observar seu fracasso.

No quarto semestre de 2017 – período em que a reforma trabalhista entrou em vigor – a taxa de desocupação estava em 11,8%. Já durante o mesmo período de 2019, o patamar era quase o mesmo, 11%. A queda representou um contingente de 635 mil trabalhadores voltando à ativa.

Flutuação da desocupação em gráfico elaborado pelo Dieese
Atualmente, é possível conferir no site do IBGE que 13,9% da população economicamente ativa enfrenta o desemprego.

Contudo, apesar da discreta queda da desocupação durante a pandemia, houve um aumento do número de subocupados e desalentados. O número de trabalhadores nessa situação chegou a 681 mil – montante que supera o dos contratados.

Dieese aponta diminuição do poder de compra

“O rendimento médio do trabalho cresceu
somente R$ 41 entre os quartos trimestres de
2017 e 2019″ – Dieese

Dos três meses finais de 2017 ao mesmo período de 2019, o aumento do rendimento médio dos trabalhadores foi de apenas R$ 41. Para isso, contribuiu a falta de política de aumento real do salário mínimo – uma política que esteve em vigor a partir de 2004 e se durou até 2018.

Porém, em 2020, o salário mínimo começou a ser reajustado abaixo da inflação oficial, diminuindo o seu poder de compra. Conforme a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos do Dieese, em algumas das 17 capitais pesquisadas, metade do salário mínimo foi destinado apenas para a compra dos alimentos essenciais.

O fim do subsídio do gás de cozinha, ocorrido em outubro de 2016, também contribuiu para uma piora na qualidade de vida do trabalhador. Com altos índices de desemprego, diminuição da renda advinda do trabalho e a carestia dos produtos da cesta básica, famílias se viram sem condições para comprar gás. Dessa forma, diversas pessoas aderiram – à força – ao cozimentos dos alimentos com lenha e carvão. Algo que ocasiona acidentes graves e prejudica a saúde respeiratória de diversas famílias.

Houve uma regressão na qualidade de vida. Se em 2016 o IBGE calculou que 11 milhões de famílias cozinhavam com lenha, em 2019 o número subiu para 14 milhões.

Em suma, a política econômica que teve início no governo Temer e se aprofundou no governo Bolsonaro tem levado milhões de volta à pobreza e à pobreza extrema. Antes mesmo da crise sanitária, os trabalhadores vinham amargando mudanças, para pior, em suas vidas.

O estudo completo pode ser acessado clicando aqui.

Leia mais sobre o aumento do gás de cozinha no Reconta Aí.

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