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Especialista explica como os fundos de pensão podem ajudar no crescimento do Brasil

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Imagem do site Recontaai.com.br

De acordo com Marcel Barros, diretor eleito de Seguridade da Previ e vice-presidente da Anapar, os Fundos de Pensão podem ajudar no crescimento do Brasil.

Os Fundos de Pensão têm uma gestão que busca rentabilizar a poupança feita pelos seus associados para que recebam o valor da forma que foi contratado. Esse é o funcionamento básico dos mais de 300 Fundos de Pensão fechados que existem no Brasil.

Contudo, não é só isso. A busca da maior renda possível geralmente se dá por meio de aplicações na Bolsa de Valores e em outros ativos, como imóveis e a compra de títulos públicos. Entretanto, nem todas essas modalidades ajudam no crescimento do Brasil, apenas as que são direcionadas a atividades produtivas.

A história dos Fundos de Pensão

O primeiro Fundo de Pensão do Brasil foi a Previ, fundada em 1904. Ela começou com a criação da Caixa Montepio, que congregava funcionários do Banco do Brasil.

Ainda não havia INSS e uma seguridade social pública. Como à época só homens trabalhavam na instituição, cerca de 50 funcionários se juntaram para assegurar um futuro digno às suas viúvas e filhos, em caso de morte. Esse dinheiro era aplicado e quando um dos associados falecia, pagava-se um valor para os dependentes.

E hoje?

No último relatório da instituição (2018), a Previ tinha 199.212 associados. E longe de ter importância só para os seus associados, a Previ, assim como outros Fundos de Pensão, têm importância para o País. Isso se dá pelas características desses fundos, o grande capital caixa e o longo prazo das aplicações.

E como isso pode ajudar no crescimento do Brasil?

De acordo com Marcel Barros, os 369 Fundos de pensão movimentam, atualmente, cerca de R$ 460 bilhões. Ou seja, um valor que equivale a cerca de 14% do PIB do Brasil. Ele participou, na última quinta-feira, de uma live do Reconta Ai para falar sobre Fundos de Pensão e investimentos.

Como todo esse capital está investido em longo prazo, é com esse dinheiro que empresas e novos negócios podem se capitalizar para enfrentar as perdas advindas da pandemia. Dessa forma, correndo riscos, é que os trabalhadores associados aos fundos terão ganhos e que empresas poderão conseguir capital para fazer as obras que o Brasil precisa.

O crescimento do Brasil requer infraestrutura

Barros aponta que cada fundo tem uma governança diferente. A Previ, por exemplo, possui seis diretores: “três eleitos pelos associados e três indicados pelo patrocinador, o Banco do Brasil“, afirma.

Barros explica que a diretoria de planejamento é eleita pelos associados e que a diretoria que executa os contratos, indicada pelo patrocinador. Da mesma forma, quem executa não administra. Assim, com independência entre as funções, a governança da Previ é modelo para outros fundos.

Outro aspecto importante é a análise dos setores da economia, que permite diversificar investimentos em setores produtivos. E não ficar refém do rentismo dos títulos da dívida pública, que rendem pouco e atrapalham o crescimento do Brasil. Com isso, há a criação de escudos setoriais e uma gestão de patrimônio eficiente.

Marcel Barros aponta que em março, a Previ tinha cerca de 47% de rendimento variável; 36% renda fixa em títulos federais e uma porcentagem menor diluída entre participação em grandes shoppings, armazéns logísticos e operações com os associados. Com a chegada da crise, foi preciso repensar essas aplicações e um dos caminhos apontados foi o investimento em infraestrutura. Isso acompanhando as mudanças nos regimes de trabalho e na capacidade de instalação de internet, por exemplo.

Dessa forma, disse que a Previ seguirá investindo no setor produtivo para que o recurso gere mais empregos, mais renda e forme um ciclo virtuoso no seu entorno, ou seja, no Brasil.

Amanhã será outro dia

“Oportunidades surgirão no Brasil, há um caminho com os juros baixos da Selic”, apontou Barros. Dessa forma, certamente todos os investidores terão que correr mais riscos investindo no setor produtivo. Saindo assim, da “facilidade” de financiar a dívida pública comprando títulos do governo.

Para que haja mais oportunidades de negócios favoráveis ao País, será necessário haver uma regulação. O Conselho Monetário Nacional (CMN), em conjunto com os fundos, precisa que uma nova classe de ativos que traga boa rentabilidade para os fundos e uma excelente oportunidade para os empreendedores. Já existe uma discussão, porém ela ainda é incipiente.

Barros termina dizendo que é preciso incentivar a formação de poupança previdenciária no Brasil. E os Fundos Fechados de Pensão são uma excelente alternativa para isso e para o sossego dos trabalhadores na sua aposentadoria.