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CPI da Covid pode começar na próxima terça-feira (27)

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado deve começar seus trabalhos na próxima terça-feira (26). A data foi marcada pelo senador Otto Alencar (PSD-BA).

Como integrante mais velho da Comissão, Alencar tem a prerrogativa de marcar a primeira reunião e conduzir a eleição da mesa da CPI.

A primeira reunião da CPI deve eleger cargos-chave. Um acordo entre a maioria dos titulares – reunindo os chamados independentes e a oposição – deve sacramentar Omar Aziz (PSD-AM) na presidência, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) no cargo de vice e Renan Calheiros (MDB-AL) na relatoria.

O nome de Aziz é visto como simbólico: após a crise vivenciada no estado que representa, o senador passou a intensificar as críticas a Bolsonaro. Calheiros e Rodrigues, apesar da distinção formal entre independentes e oposição, são dois críticos contumazes do Planalto.

Alessandro Vieira (Cidadania-RS), suplente da CPI, elaborou um plano de trabalho que deve ser debatido pelos titulares. Um dos nomes propostos para serem ouvidos pelo senador e que deve ser deixado de fora, ao menos em um primeiro momento, é o do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Um dos primeiros focos dos senadores devem ser os militares. O ex-comandante do Exército Edson Pujol deve ser chamado por conta da produção de cloroquina pela Força. O militar foi demitido de seu posto após se recusar a alinhar totalmente a instituição ao governo Bolsonaro.

Militares que estiveram na gestão de Eduardo Pazuello na Saúde devem também ser convocados, além do próprio. Outros ex-ministros da pasta – Teich e Mandetta – também devem ser convidados. Os dois últimos se tornaram fortes críticos do governo após sua passagem pela Esplanada dos Ministérios. Ambos tiveram rusgas com o presidente por conta do endosse deste ao chamado “tratamento precoce”, conhecido por sua ineficácia.

Outro eixo principal neste primeiro momento será a crise no Amazonas.

Prazo da CPI

Um dos primeiros temas a serem debatidos é o modelo da CPI, presencial ou remoto. A tropa de choque do governo deve tentar postergar os trabalhos para quando a situação no Senado for normalizada. Mas esta hipótese prevalecer é improvável, no que deve ser a segunda derrota do Executivo caso os nomes de comando da CPI se confirmem.

Como pano de fundo, há uma questão temporal importantíssima: o prazo da CPI e a agenda de vacinação. Um dos principais temores do governo federal é o quanto a Comissão durará após o fim de junho. No melhor dos mundos para o Planalto, ele se encerrará em julho.

A questão é importante por conta do calendário de imunização: o governo prometeu imunizar todos os grupos prioritários até o final de junho. Caso isso não ocorra – e as chances não são pequenas – o Planalto entende que a CPI terá em suas mãos um fato de permanente desgaste contra Bolsonaro.

A péssima notícia para o presidente da República é que parte dos senadores já cogita levar a Comissão até outubro.