Reconta Aí Atualiza Aí CPI da Covid: Mandetta tenta se distanciar de Bolsonaro

CPI da Covid: Mandetta tenta se distanciar de Bolsonaro

Primeiro depoente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta manteve um tom ameno durante as questões do relator, Renan Calheiros (MDB-AL). Por outro lado, buscou se distanciar de Jair Bolsonaro, movimentação que se iniciou com sua saída da pasta.

Com depoimento marcado às 10h, Mandetta começou sua fala com mais de uma hora de atraso, por conta de questões de ordem de senadores ligados ao governo que questionavam o plano de trabalho da CPI, apresentado por Calheiros.

Mandetta iniciou afirmando que o Brasil foi um dos primeiros países, em 3 de janeiro de 2020, a pedir esclarecimentos sobre os rumores de uma nova doença à Organização Mundial da Saúde (OMS). O ex-ministro defendeu que uma série de medidas tomadas por sua gestão foram descontinuadas, especialmente esforços para ampliar a testagem.

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Segundo ele, sua atuação na Saúde se pautou em três pilares: “Defesa intransigente da vida, o SUS como meio e a ciência como elemento de decisão”.

O ex-ministro afirmou que durante sua gestão as vacinas não tinham chegado à fase dois de testes.

“Naquele momento, tínhamos [apenas] uma lista de iniciativas. [Se houvesse opções mais avançadas] teria ido atrás delas como uma faminto atrás de um prato de comida”, disse.

Mandetta afirmou que Jair Bolsonaro tinha uma postura ambígua, e afirmou que, em sua percepção, o presidente era aconselhado por outros núcleos. O depoente apontou que apresentou ao Planalto a estimativa de que 180 mil pessoas morreriam no Brasil.

“O presidente entendeu que outras previsões eram mais adequadas. Eu explicava, ele entendia. Passavam dois ou três dias ele voltava [a defender outras posições]”, relatou.

Em seu depoimento, o ex-ministro apontou que os filhos de Bolsonaro exerciam influência sobre a presidência no tema da pandemia. Outro foco de dificuldades era a postura de Eduardo Bolsonaro: “Rota de colisão com a China”. Ele ainda afirmou que, em uma reunião, foi cogitada a ideia de modificar a bula da cloroquina por decreto presidencial.

Sobre sua demissão, Mandetta afirmou que os ministros militares defendiam sua permanência, mas que as tensões impediram sua permanência.

“Todos ministros militares diziam: ‘é melhor seguir com a ciência’.Eu jamais pediria demissão do cargo. Em situação de pandemia, eu tinha um paciente, chamado Brasil, e eu o não deixaria. Mas também não negociaria os valores de minha formação”, colocou.

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