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CPI da Covid: Maioria aprova relatório final com indiciamento de 80 pessoas, incluindo família Bolsonaro

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CPI Covid 4

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid do Senado foi aprovado por maioria na noite desta terça-feira (26), pedindo o indiciamento de 80 pessoas por diversos crimes cometidos durante a pandemia do novo coronavírus no Brasil. Foram sete votos favoráveis e quatro contrários, confirmando os blocos que se constituíram entre os titulares dentro do colegiado.

O presidente da República e seus filhos com cargos públicos constam no documento. A Jair Bolsonaro foram imputados 9 tipos diferentes de condutas ilegais, que vão de charlatanismo a crime contra a humanidade, passando por crime de responsabilidade.

Durante a sessão se cogitou colocar o integrante da CPI Luis Carlos Heinze na lista de indiciados, principalmente por conta de sua defesa da eficácia da cloroquina, mas a maioria recuou.

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Votaram a favor do relatório de Calheiros, além do próprio: Eduardo Braga (MDB-AM); Tasso Jereissati (PSDB-CE); Otto Alencar (PSD-BA); Humberto Costa (PT/PE); Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Omar Aziz (PSD-AM).

Votaram contra: Luis Carlos Heinze (PP-RS); Eduardo Girão (Podemos-CE); Marcos Rogério (DEM-RO) e Jorginho Mello (PSC-SC).

O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), fez um forte discurso contra o Governo Federal. Segundo o emedebista, a Comissão cumpriu o papel de desacelerar o "relógio da morte do Governo Federal", que "sabotou a ciência". "Agiu como um missionário enlouquecido para matar seu próprio povo. Sua trajetória é marcada pela pulsão de morte", colocou Calheiros.

"Que os que se omitiram paguem pelos seus crimes. Quero agradecer a todos que colaboraram e me solidarizar com a dor de todos que perderam seus entes queridos", complementou Calheiros.

Presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM) também criticou o Planalto, focando principalmente a ausência de empatia Jair Bolsonaro com as vítimas da pandemia e seu familiares, além da disseminação de posições negacionistas.

"O povo do Amazonas não morreu com falta de oxigênio? O presidente não pediu insumos para cloroquina para a Índia? São fatos, não é narrativa. Não há como negar que isso existiu. Amanhã às 10h30 o relatório será entregue ao procurador-geral da República", colocou Aziz.

Augusto Aras, procurador-geral da República, é o responsável por dar encaminhamento a investigações contra Jair Bolsonaro.

Ao final da sessão, os senadores ficaram um minuto em silêncio em homenagem às vítimas da pandemia.