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CPI da Covid: Dominguetti gera mais dúvidas sobre propina em negociação de vacina

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Imagem do site Recontaai.com.br

O depoimento à CPI da Covid no Senado de Luiz Paulo Dominguetti, cabo da Polícia Militar e que atuou como representante da empresa Davati Medical Supply, deixou mais dúvidas no ar do que esclarecimentos.

O policial confirmou a versão dada à imprensa de que Roberto Dias, exonerado do Ministério da Saúde, teria cobrado propina de um dólar para cada dose da vacina da Astrazeneca ofertada pela Davati. Como a própria oferta - que incluía 400 milhões de doses - seria cumprida é ainda um grande enigma.

Em primeiro lugar, pelo fato do consórcio Universidade de Oxford/Astrazeneca afirmar que só negocia doses diretamente com governos, ou seja, sem a presença de empresas intermediárias. O volume de doses ofertado também é incompatível com a produção do laboratório.

A matriz da Davati, empresa que já é investigada no Canadá por oferta semelhante, afirmou em nota que incluiu o nome de Dominguetti na proposta "a pedido", sem mencionar quem teria feito tal requisição. Oficialmente, a empresa dos EUA reconhece apenas Cristiano Alberto Carvalho como representante legal da companhia no Brasil.

Como um cabo da Polícia Militar mineira, e que permanece na ativa, acabou negociando um contrato - que possivelmente não seria cumprido - bilionário é outro ponto não esclarecido.

Aquilo que parecia ser uma novidade trazida por Dominguetti, um áudio em que supostamente o deputado Luis Miranda (DEM-DF) estaria negociando vacinas com a Davati, se mostrou um engodo. Cristiano Carvalho negou que o áudio tenha relação com a empresa.

O próprio Luis Miranda encaminhou o áudio original a autoridades policiais, afirmando se tratar de uma negociação de luvas cirúrgicas ocorrida em 2020 e antes das vacinas serem disponibilizadas no mercado. Como o áudio editado foi parar nas mãos de Dominguetti e qual era objetivo de sua apresentação na CPI não são questões totalmente resolvidas.

A exposição do material entusiasmou o senador Flávio Bolsonaro, não integrante da CPI, que acompanhava a sessão. Miranda é responsável, junto a seu irmão, por denunciar possíveis ilegalidades no processo de aquisição da vacina indiana Covaxin.

Tanto o celular de Dominguetti como o áudio enviado por Miranda serão periciados.