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CPI da Covid: Depoimentos acumulam contradições

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Com mais uma semana de depoimentos se encerrando na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, parlamentares agora travam um embate sobre os rumos das investigações.

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Para a semana que vem, já está marcado o depoimento de Mayra Pinheiro, a "capitã cloroquina". Originalmente previsto para a última quinta-feira (20), o depoimento foi adiado após Eduardo Pazuello ter comparecido a sessões em dois dias seguidos.

Ernesto Araújo, ex-chanceler, iniciou a semana sendo duramente questionado sobre sua atuação em relação a três grandes temas: omissão na busca por vacinas, orientação em prol da cloroquina a diplomatas e as dificuldades no caso em Manaus - em que o Ministério das Relações Exteriores não dialogou com a Venezuela, que ofertou oxigênio à cidade.

Por dois dias, Pazuello depôs na tentativa de permanecer blindando o presidente da República. Foi intensamente cobrado pelas contradições de seu relato. Vídeos e reportagens foram apresentados por senadores que desmentiam ao vivo as declarações do general. Rogério Carvalho (PT-SE) e Fábio Contarato (Rede-ES) foram alguns dos mais enfáticos nesta linha, além de diversas integrantes da Bancada Feminina.

Em um dos poucos momentos em que seu intento de preservar Bolsonaro fracassou por iniciativa própria, Pazuello afirmou que o presidente participou de uma reunião em que se cogitou intervenção federal no Amazonas.

Após o depoimento de Pinheiro, uma disputa sobre quem devem ser os próximos depoentes deve se abrir.

A tropa de choque do governo pretende aproveitar a abordagem sobre o caos em Manaus para deslocar o foco das investigações para governadores e prefeitos, evitando o desgaste do governo federal.

Independentes e oposição, por outro lado, entendem que os depoimentos têm apontado para outra direção. Em um primeiro plano, senadores entendem que é preciso ter mais elementos sobre a atuação do próprio presidente na condução da pandemia.

Alessandro Vieira (Cidadania-ES), por exemplo, já pediu que Pazuello encaminhe à CPI informações detalhadas sobre a reunião em que se debateu a situação de Manaus e na qual Bolsonaro estava presente.

Em uma segunda frente, o conjunto de depoimentos acumulou uma série de contradições. Fabio Wajngarten e Carlos Murillo, gerente-geral da farmacêutica Pfizer na América Latina, afirmaram que a farmacêutica permaneceu sem resposta do governo por diversos momentos, o que foi negado por Pazuello. Neste sentido, a oposição e independentes cogitam até a realização de acareações - quando dois ou mais depoentes se apresentam para confrontarem suas versões - e o pedido de mais documentos.

“Pelo andar dos depoimentos, a CPI talvez tenha que fazer algumas acareações. Uma entre Pazuello e o representante da Pfizer e outra entre o ex-ministro da saúde e Fabio Wajngarten. Descobrir quem está falando a verdade tem que ser o maior resultado dessa comissão”, declarou o líder da minoria, senador Jean Paul Prates(PT-RN). “Manaus foi laboratório para experiências cruéis e sem qualquer embasamento científico e elas foram orientadas ou permitidas pelo governo Bolsonaro? Precisamos esclarecer os fatos", complementou.

O sigilo de Pazuello, neste sentido, também pode ser quebrado, através de um pedido do vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

A CPI deve ter um relatório parcial antes do fim das investigações, para que a linha de investigação e os achados já descobertos sejam sistematizados.