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CPI da Covid: 'Depoimento' de Wizard tem muito silêncio e algumas mentiras

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Imagem do site Recontaai.com.br

O depoimento de Carlos Wizard à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado foi marcado, em primeiro lugar, pelo seu silêncio - ou seja, sua recusa em responder às perguntas. Em sua fala inicial - que durou apenas 17 minutos, além de versículos bíblicos o empresário também trouxe algumas mentiras.

Wizard estava amparado por um habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luis Roberto Barroso, e não respondeu às questões por orientação de seu advogado, Alberto Toron, que estaria no centro de um dos momentos mais tensos da sessão desta quarta-feira (30).

Wizard afirmou que sua postura prévia em relação à pandemia incluiu a intenção de "doar vacinas ao povo brasileiro". O empresário, entretanto, foi contra a imposição de que, caso adquirissem vacinas, empresas deveriam doar 50% das doses ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). Ele, junto de Luciano Hang, chegou a se reunir com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para se manifestar contra a regra.

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Em outro momento, o depoente negou ter feito parte do gabinete paralelo. Em outubro de 2020, entretanto, Wizard declarou em entrevista fazer parte do "comitê científico" que dava sugestões a Jair Bolsonaro.

A sessão foi marcada pelo apelo de senadores para que Wizard falasse. Uma das estratégias mobilizadas foi a utilização de versículos bíblicos que apelavam ao senso ético do empresário. Não funcionou.

Em um momento de tensão, o senador Otto Alencar (PSD-BA) afirmou que Wizard "amarelou" e que seu advogado estaria "vermelhinho" por ter pego sol em alguma praia. Toron reagiu afirmando que não havia viajado, ao que o parlamentar afirmou que não havia dado a palavra ao jurista, que afirmou que a impossibilidade de responder era uma "covardia".

No ápice da situação, Alencar ameaçou utilizar a Polícia Legislativa para retirar Toron do Senado, o que não chegou a ocorrer.