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CPI da Covid: Depoimento de Roberto Dias não esclarece seu papel na compra de vacinas

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Imagem do site Recontaai.com.br

O depoimento de Roberto Ferreira Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado nesta quarta-feira (7) não tem esclarecido, até o momento, qual seu real papel no suposto caso de pedido de propina na aquisição de vacinas.

Dias foi acusado pelo policial Dominguetti de ter cobrado propina para fechar um contrato de 400 milhões de doses da AstraZeneca, que seria intermediado pela empresa Davati.

A primeira vez que a oferta chegou a Dias, segundo ele próprio, se deu através de um ex-funcionário da pasta: "Me foi trazida pelo coronel [Marcelo] Blanco".

"Este senhor Cristiano [Alberto Carvalho, representante da Davati] me manda um conjunto de documentos que não fazem sentido. Essa iniciativa fica pelo caminho", disse ele. A troca de mensagens ocorreu antes do encontro com Dominguetti.

Dias relatou que as tratativas não prosseguiram por "ausência da carta de representação" da AstraZeneca habilitando a Davati. O ex-servidor sustentou que sua atuação teve como objetivo "saber se existia a oferta de 400 milhões de doses em um momento em que não havia vacina [disponível]".

"Todas essas empresas têm um interesse: uma carta de intenção do governo brasileiro. Com essa carta, eles se cacifam lá fora", defendeu.

O funcionário exonerado afirmou que a questão de preços não era debatida por ele, mas pela Secretaria-Executiva da Saúde: "A negociação para vacinas de covid-19 - cronograma, prazo, preço - se deu exclusivamente no âmbito da Secretaria-Executiva".

Parte dos senadores identificou como contraditório o fato de que a negociação era responsabilidade da Secretaria-Executiva, mas Dias ainda assim pediu mais documentos para Dominguetti.

Dias sustenta que sua ação buscava averiguar a existência das doses para que, em caso afirmativo, a negociação fosse feita pela Secretaria-Executiva.