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CPI da Covid: Bolsonaro defende tratamento precoce no mesmo dia em que é acusado em relatório

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parecer do relator

A leitura do parecer de Renan Calheiros (MDB-AL), relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, não gerou surpresas nesta quarta-feira (20). No mesmo dia, Bolsonaro voltou a fazer aquilo que o relatório produzido identifica como crime.

Após uma sequência de vazamentos à imprensa, que resultaram em uma série de reuniões entre senadores independentes e da oposição, o teor do texto final apresentado por Calheiros já era de conhecimento prévio. Os crimes que seriam apontados na conduta de Bolsonaro são um caso.

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Após cogitar imputar 11 tipos de crimes ao presidente da República, incluindo o de homicídio qualificado e de genocídio - em relação à população indígena -, e a percepção por parte de alguns de que haveria um certo exagero nas qualificações, no momento em que Calheiros lia seu relatório já se sabia que o total de crimes listados contra Bolsonaro seria de apenas 9, sem os dois já citados.

Ainda assim, Bolsonaro será acusado de crime contra a humanidade e foi mantido, junto com seus três filhos mais velhos, como chefe do núcleo de comando de uma rede destinada a promover a desinformação que teria atuado durante a pandemia.

Enquanto Calheiros lia seu documento, que deverá ser votado na próxima terça-feira, Bolsonaro participava de evento no Ceará. "Não temos culpa de absolumente nada, fizemos a coisa certa desde o primeiro momento”, disse o presidente, que acusou a CPI de fomentar o "ódio".

Se no relatório o senador emedebista acusa a família Bolsonaro de ter promovido a desinformação - pautando questões como isolamento vertical e o chamado tratamento precoce -, o presidente da República voltou a praticar aquilo que Calheiros - e provavelmente a maioria da CPI - vê como crime. "Defendi que os médicos brasileiros tivessem autonomia para receitar os remédios, uma decisão que pode ter salvado a vida de muitas pessoas", afirmou Bolsonaro no evento no interior do Ceará.

O relatório deve ser aprovado após o consenso ser obtido entre o chamado G7 da CPI - grupo de senadores com direito a voto que são independentes e da oposição. O bloco é suficiente para superar os apoiadores de Bolsonaro no interior da Comissão.

O desdobramento das investigações, entretanto, dependerá de outros órgãos e poderes.