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Covid-19: Profissionais da linha de frente de São Paulo podem ficar sem vacina

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Secretário de Saúde, Edson Aparecido, disse que não há número suficiente de imunizante para vacinar “nem metade das equipes na linha de frente contra o novo coronavírus”

*Regina, uma auxiliar de enfermagem que atua desde o início da pandemia no cuidado aos doentes de Covid-19, em São Paulo (SP), não receberá a vacina. A profissional descobriu ainda na quarta-feira (20) que não será imunizada.

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Atendendo em uma maternidade na região Leste da cidade de São Paulo, a auxiliar afirma que teve contato com mulheres infectadas que deram à luz. Os casos que chegaram, segundo ela, ficaram em uma situação especial de isolamento. E como foram atendidos, expuseram profissionais.

Em entrevista ao Estado de S. Paulo nesta quinta-feira (21), o secretário de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, afirma que há cerca de 500 mil profissionais de saúde na linha de frente. No entanto, a cidade de São Paulo recebeu apenas 203 mil doses da vacina produzida pelo Instituto Butantan.

“Todos estão revoltados, é uma coisa impressionante”, disse o secretário ao jornal. Ele também espera “uma revolta” por parte de profissionais da saúde.

Profissionais da linha de frente também se contaminam

Regina afirma ter se contaminado em junho: “A sensação foi terrível, eu achei que iria morrer”. Ela também relatou que apesar de não necessitar de hospitalização, teve diversos sintomas: chegou a perder 3kg e teve paladar prejudicado, recuperando-o somente em dezembro.

Além da própria contaminação, o medo de contaminar os parentes era, e ainda é, grande. A auxiliar recorda que conviveu com seu pai que estava acamado e faleceu de doença não relacionada, e com sua mãe, que é idosa.

“É muito triste a sensação do medo de transmitir a doença para alguém”, desabafa a profissional. Mesmo contaminada, manteve cuidados e não chegou a contaminar os familiares.

A vacina chegou, mas não para todos

“Fiquei feliz quando soube da aprovação da vacina. Imaginei que as doses viriam para os hospitais e que todos os profissionais seriam imunizados”, afirma a auxiliar.

Contudo, ao abrir as redes sociais ontem, a profissional descobriu que não seria imunizada nessa primeira leva de vacinas aprovadas. “Não há uma data prevista para a nossa imunização”, afirmou.

A profissional culpa o presidente pela falta do imunizante para ela e seus colegas de hospital. “Infelizmente ele não tomou as medidas necessárias antes, não comprou os insumos necessários e nem deu atenção à pandemia”, reflete.

Agora, a euforia da liberação de duas vacinas – a Sinovac, do Instituto Butantan e a AstraZeneca, da Fiocruz – foi substituída pela desesperança. “Eu nem sei quando essa vacina estará disponível para nós”, desabafa.

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*Regina é um nome fictício. A profissional pediu anonimato por temer represálias.