Reconta Aí Atualiza Aí Contrariando Guedes, Bolsonaro diz (mais uma vez) que o País está quebrado

Contrariando Guedes, Bolsonaro diz (mais uma vez) que o País está quebrado

Foto: Marcos Corrêa/PR

Fala do presidente contrapõe Paulo Guedes, de que a economia  está se recuperando

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira (5) que o Brasil está quebrado e que não consegue fazer nada. O presidente também afirmou que a pandemia de Covid-19 tem sido “potencializada pela mídia”. Próximo de atingir a marca de 200 mil, o Brasil tem, até esta data, mais de 196,6 mil mortes pela Covid-19.

Assim disse o presidente a apoiadores na saída do Palácio da Alvorada: 

“Chefe, o Brasil está quebrado, e eu não consigo fazer nada. Eu queria mexer na tabela do Imposto de Renda, teve esse vírus, potencializado por essa mídia que nós temos. Essa mídia sem caráter”.

Esta não foi a primeira vez que o presidente disse que o País estava quebrado. Em outras ocasiões, Bolsonaro já utilizou a frase para justificar, por exemplo, mudanças no sistema previdenciário

Passado um ano da aprovação da reforma da Previdência – em 13 de novembro de 2020 -, houve perda de renda de milhões de famílias em um cenário de recessão e desemprego.

Menos aposentadorias e pensões significam menor capacidade de compra na base da sociedade e, consequentemente, maior dificuldade no aquecimento da economia. Explicação que já  foi dada pelo professor de Economia da Unicamp, Guilherme Mello, em entrevista ao Reconta Ai.

Também com  o  argumento do cenário fiscal, Bolsonaro já havia declarado que o  País não tinha condições de manter o auxílio emergencial. O benefício foi encerrado em 31 de dezembro. 

A fala do presidente também contrapõe Paulo Guedes: o chefe da equipe econômica disse recentemente que a economia brasileira já estava se recuperando e a Covid-19 “cedeu”.

Assim teria declarado o ministro da Economia:

Do ponto de vista do governo não existe a prorrogação do auxílio emergencial. Contra evidência empírica, não há muito argumento. Os fatos são que a doença cedeu bastante e a economia voltou com muita força”.

Sem um programa de transferência de renda – como o auxílio emergencial em 2021 – a geração de empregos e ocupações será decisiva para a retomada da atividade econômica e do consumo. Vale destacar que o número de pessoas desempregadas atingiu a marca de 14,1 milhões no trimestre encerrado em outubro, conforme divulgado pelo IBGE na última semana de 2020.

No entanto, é preciso um governo que coloque a geração de empregos e de ocupações (incluindo ações emergenciais), além de programas sociais como o auxilio emergencial, como prioridade máxima de sua política econômica e social. “Algo difícil de esperar deste governo que aí está”, como já mencionado por Sérgio  Mendonça, em recente artigo para o Reconta Aí.

No final das contas, vale lembrar: o auxílio emergencial transferiu cerca de R$ 275 bilhões em nove meses (abril a dezembro de 2020) para aproximadamente 68 milhões de pessoas. Em média, R$ 31 bilhões por mês.

Wordpress Social Share Plugin powered by Ultimatelysocial