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Contraf disponibiliza cartilhas para formação de Comitês de Luta dos Bancários

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Comitê de Luta dos Bancários

Desde o início do mês, bancárias e bancários de todo o País têm se organizado em comitês para lutar por direitos sociais e pela democracia. Para colaborar com a formação desses focos de luta e resistência, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) disponibilizou uma cartilha com informações sobre como montar um comitê, suas funções e os principais debates que estão sendo feitos atualmente.

A criação da cartilha Reconstruir o Brasil que a Gente Quer, segundo a Contraf, atende a uma definição do 6º Congresso Nacional, ocorrido de 1º a 3 de abril deste ano. Na ocasião, bancárias e bancários decidiram utilizar a força da categoria para agir em prol de uma sociedade melhor e mais justa.

“A categoria é vanguarda do movimento sindical e, há décadas, aprimora sua estrutura organizativa e de trabalho conjunto, com coordenação nacional. Essa experiência deve ser usada na implantação e dinamização do funcionamento dos comitês”, disse o vice-presidente da Contraf, Vinícius Assumpção.

A luta pela democracia sempre contou com bancários

A relação dos bancários com a luta pela democracia no Brasil vem de longe. Muitos foram os bancários envolvidos diretamente com o combate à ditadura militar, como o bancário alagoano Petrúcio Lages, perseguido e preso em 1964 e readmitido no Banco do Nordeste 52 anos depois; ou Aluizio Palhano Pedreira Ferreira, assassinado pela ditadura militar em 1971 e enterrado por seus familiares apenas em 2018.

Em evento de 2019, a historiadora Dulce Pandolf relembrou a contribuição da categoria para a campanha Diretas Já!: "Em 1978 começa um ciclo de lutas do movimento sindical pela derrubada da ditadura militar, com greves – e outras grandes mobilizações de rua –, como a do ABC Paulista, naquele ano, fortalecendo a luta nacional pelo fim do regime, que se concretizou em 1985, e a volta da democracia. A greve dos bancários de 1979 (iniciada em 12 de setembro) foi decisiva neste processo que se ampliou, anos depois, com a campanha das diretas, já".

Os Comitês de Luta dos Bancários

"Queremos que os comitês de luta sejam um instrumento de debate e propostas para o Brasil que desejamos construir. Precisamos fazer a população entender que é necessário defender as conquistas que já obtivemos para que não as percamos", afirma Vinícius Assumpção. O líder sindical se refere a uma série de direitos que trabalhadores e trabalhadoras vêm perdendo desde o golpe em 2016, como direitos trabalhistas e previdenciários, cifados em reformas propostas pelo governo e aprovadas pelo Congresso mais conservador desde a redemocratização.

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Para essa luta, Assumpção revela que todos os meios estão sendo utilizados: "Montamos uma base utilizando a nossa própria estrutura nacional. Temos uma coordenação nacional que já está funcionando, por meio das federações, e estamos fazendo reuniões dentro dos sindicatos. Depois vamos criar comitês temáticos, com debates específicos, com a luta antiracista, antiLGBTQIA+, antimachista e também por locais de trabalho".

O trabalho da Contraf está amparado pela própria resolução dos bancários no 6º Congresso da instituição, quando a questão foi tratada como prioridade pela categoria.

"Quanto mais organização nós tivermos para enraizar o debate para fazer, melhor. Nossa expectativa é criar em todo o Brasil 300 comitês de luta", afirmou Assumpção, que ainda ressaltou que não importa o tamanho desses comitês, mas sim a capilaridade deles.

Acesse a cartilha clicando aqui.