Reconta Aí Atualiza Aí Eleições 2022: Contra Tudo e Contra Todos, Ele Está Voltando

Eleições 2022: Contra Tudo e Contra Todos, Ele Está Voltando

Alguns breves apontamentos sobre a pesquisa Datafolha desta semana. A primeira em que Lula aparece após sua elegibilidade e a suspeição de Moro terem sido confirmadas.

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O que causa mais espanto em relação a Lula é o fato de sua performance se dar mesmo com a continuidade do bloqueio midiático. O principal noticiário do País deu grande destaque à queda de popularidade do atual presidente, mas mal citou a vitória de Lula nos dois turnos. O que já é uma reação política significativa. A blindagem à política econômica atual e ao governador de São Paulo continuou consistente mesmo após os números eleitorais.

Essa é a situação que o candidato petista deverá enfrentar até 2022, até o momento em que a sua vitória se torne inevitável – o que atrai até inimigos políticos, como Lula bem sabe, e não por outro motivo começou a restabelecer antigos contatos com lideranças de outros partidos. As reações da mídia irão variar do bloqueio de imagem ao ataque aberto. O progressismo liberal, que invade o espectro de esquerda com pautas identitárias abertamente pró-mercado, também irá reagir – a matéria destacada pelo Intercept para se contrapor aos números da pesquisa é uma postura que deverá ser usual nos próximos meses. Mas um problema logístico persiste.

Ao construírem o cenário da “polarização”, transformando uma oposição habitual na grande fonte de nossos problemas, os arrependidos do golpe precisam se agarrar a um nome. Já se decidiram pela fácil demonização de Bolsonaro, embora ele continue sendo o mesmo personagem que eles próprios apoiaram contra o petismo. Mas é preciso prosseguir (e acelerar) a política econômica privatista, rentista e determinada a transformar o Brasil no paraíso do agronegócio. E todos os nomes propostos até aqui fracassaram ao tentar se estabelecer nessa corrida eleitoral.

O caminho para a elite conservadora é pedregoso quando se afasta da fronteira do golpe de Estado. Moro e Bolsonaro se mostraram incompetentes para manter o apoio jurídico-midiático que os transformaram nos próceres de um Brasil subserviente, pobre, famélico, obscurantista. A pandemia tornou visível o país doentio que eles preconizaram claramente, apesar do brilho e maquiagem providenciados pelos formadores de opinião pública. O grande bastião liberal brasileiro, o PSDB, soçobrou após as seguidas vitórias petistas. Huck não emplacou, Dória aposta exclusivamente em uma vacina que pode ser fragilizada pelo Governo Federal e também não estabelece alianças, Ciro tardiamente embarcou no antipetismo e não conquista a confiança dos conservadores.

Por mais que tentem assassinar a imagem pública do PT e de Lula, já está comprovado que há questões de identidade e memória que não podem ser apagadas pela propaganda antipetista. Por mais que a frase “o brasileiro não tem memória” seja corrente, já presenciamos eventos em que toda a máquina de propaganda liberal e o uso dos meios de comunicação, não sobrepujaram as lembranças populares, vividas na carne e repassadas de pais para os filhos. Eleições de Brizola no Rio, as ascensões nacionais de Getúlio e de Lula demonstram isso. E os anos petistas de avanço em justiça social, pleno emprego, desenvolvimento e redistribuição de renda estão muito frescos na memória coletiva, ainda mais em comparação com a meia década de rápida decadência dos padrões de vida da população.

O fenômeno Lula, que não é oficialmente candidato e não aparece na imprensa como tal, que não tem e não terá espaços de propaganda partidária nas rádios e tevês, que foi e é atacado diuturnamente pelos meios de comunicação, mostra um caminho para a esquerda brasileira. Um caminho de memória e identidade. Rememorar outro tempo, relembrar políticas públicas, reavivar o papel do Estado e das garantias sociais só podem aumentar os números da pesquisa. Assim como, ao invés de seguir os parâmetros da mídia e da elite, a esquerda – e o PT – assumirem a identidade que formou seus integrantes como quadros políticos.

Se a elite e a maior parte dos protagonistas do golpe aceitarem o jogo político democrático como inevitável, procurarão domar a reconstrução do Estado e a promoção de justiça social a qualquer custo. E já entenderam há tempos que influenciar uma “nova esquerda”, uma “nova oposição” e “novos nomes” pode ser o caminho de cooptação mais satisfatório e producente. E tem sido fácil seduzir os próprios integrantes da esquerda tradicional a seguirem as luzes da mídia e do mercado.

No entanto, até mesmo quando olhamos as bases de apoio de cada candidato – e a pesquisa Datafolha mostra que só há dois nomes possíveis, o de Bolsonaro e o de Lula – a questão da identidade fica clara. Empresários e eleitores com maior renda ainda dão alguma sustentação ao líder miliciano. Desempregados, pobres e, enfim, os descamisados, começam a se reconhecer na imagem censurada da maior liderança popular da história deste País. Mesmo sem todos saberem que Lula é candidato, mesmo com o silêncio constrangedor da mídia, seu nome volta a correr pelas ruas, como um São Sebastião que arrancou as flechas do peito e voltou a dar esperanças a quem não tinha mais qualquer direito.

Se a esquerda, especialmente o PT, assumir a identidade de quem não possui nada mais do que a força de trabalho para sobreviver, de quem se preocupa com o pão e o emprego, de quem protege o trabalhador e o pobre da rapina do capital, não haverá como perder essa liderança. Há toda uma memória latente de um tempo em que a dignidade não era um produto hereditário e exclusivo de uma fração da sociedade brasileira. Há muita gente e esperança esmagadas, prontas para serem regatadas por alguém que já conhecem. Houve um curto tempo em que havia Estado, emprego, direitos e três refeições por dia. Não negar essas lembranças ainda vívidas é a melhor garantia de um retorno aos caminhos de autonomia e de desenvolvimento social que nos roubaram.

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