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Conjuntura: Especialistas do agronegócio projetam alimentos e insumos que terão alta em 2022

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Cepea faz projeção dos alimentos e insumos que terão alta em 2022

Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) realizaram um estudo voltado ao agronegócio sobre as perspectivas de produção de alimentos e outras culturas em 2022. A partir do documento, chamado CEPEA/PERSPECTIVAS DE 2022, é possível antever quais alimentos e insumos deverão ter alta este ano, segundo os especialistas.

Açúcar

De acordo com o Cepea, há muitas variáveis que pesam na conta dos produtores, entre elas, os elevados custos com insumos importados, economias doméstica e mundial desaceleradas, taxa de câmbio, preço do petróleo e preocupações com o clima. Dessa forma, a expectativa é, por exemplo, que o preço do açúcar se mantenha em patamares elevados tanto no Brasil quanto no mercado internacional.

Algodão

Os preços do algodão devem se manter em patamares altos ou até subirem, principalmente devido à alta do consumo mundial e ao baixo estoque da pluma. Baseado em análises sobre a Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), o Cepea afirma que cerca de 21,9% da safra de algodão 2021/22 já foi comercializada até o dia 3 de janeiro - tendência que, caso se mantenha, pode gerar uma elevação de preços da  matéria-prima no mercado interno.

Arroz

Conforme a análise do Cepea, é possível que haja redução do preço do arroz para o consumidor. As análises apontam que as exportações do cereal estão em baixa, o que ocasionou uma alta de estoques de arroz entre os produtores brasileiros.

Carne de boi

Os especialistas apontam que o preço da carne bovina deve seguir alto devido a demanda internacional.

Café

Os baixos estoques de café brasilerio causados pelo frio extremo de 2021 prometem manter o preço do café alto no País. Para tanto, colaboram também a baixa produção de produtores internacionais, cujas safras também foram menores por questões climáticas advindas do fenômeno La Niña e a alta demanda internacional pelo grão. "Esse cenário de oferta apertada, em meio a perspectivas de recuperação da demanda (devido à retomada econômica), já vinha mantendo em patamares recordes os preços nominais do arábica e do robusta em 2021", afirma o relatório.

Citros (laranja e limão)

Analistas avaliam que pode haver uma diminuição da área de laranjais plantados, tanto por causa do preço baixo de venda da fruta quanto a alta dos custos de produção. Segundo o Cepea há, ao mesmo tempo, produtores investindo em melhorias na produção para reduzir os riscos climáticos.

A necessidade da indústria de laranja deverá ser elevada, mas a oferta da fruta no segmento mesa deve se manter como está. Porém, como a indústria ainda não fez a contratação das compras de laranja para 2022, ainda não é possível estimar o preço que chegará ao consumidor.

Houve aumento de produção de limão tahiti e as condições climáticas favoreceram a produtividade. Com isso, é possível que o limão tenha queda de preços.

Frango

O frango deve serguir com preço alto em 2022. A causa é o rítmo aquecido das vendas tanto no mercado interno quanto no mercado externo, além dos altos curtos de produção. Conforme o relatório informa, "estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam que 50,8% do consumo da carne no Brasil em 2022 deverá ser exclusivamente de frango". O motivo da previsão é a diminuição do poder aquisitivo dos brasileiros.

Leite

O setor de lácteos enfrentará um dos piores cenários análisados. Com isso, é possível que o nível de produção diminua e haja um encarecimento do preço do leite, manteiga, queijos e outros produtos lácteos ao consumidor.

Mandioca

Condições climáticas e a diminuição da área de plantio podem manter o preço da mandioca alto, como vem ocorrendo desde 2021, afirmam os especialistas.

Milho

Há a expectativa de um grande aumento na safra de milho em 2022. Contudo, a demanda pelo cereal deve seguir em alta tanto dentro do Brasil, quanto no resto do mundo, principalmente para a elaboração de ração de animais para a pecuária. É possível que os preços do milho caiam para o consumidor final.

Ovos

Analistas acreditam que devido ao baixo poder de compra dos brasileiros, o consumo de ovos seguirá em alta em 2022. Porém, por conta dos custos de produção da proteína, que depende principalmente do milho e de energia elétrica, a aposta é que os preços sigam em alta para o consumidor final.

Suínos

Segundo o documento elaborado pelos especialistas do Cepea, o consumo de carne suína deve seguir crescendo no Brasil por causa da diminuição do poder aquisitivo dos brasileiros. As exportações da proteína também estão em alta, fazendo com que a carne in natura e os embutidos produzidos a partir da carne suína possam sofrer alta de preços ao consumidor.

Trigo

Apesar da alta disponibilidade de trigo no mercado interno, o câmbio desvalorizado, a paridade de importação e a demanda externa, mantiveram alto o preço do trigo em 2021. E como o Brasil é dependente da importação de trigo para abastecer mercado interno e com o dólar nas alturas, é possível que o consumidor siga pagando altos preços pela farinha.

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