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Conferência Popular pelo Direito à Cidade debate de moradia à democracia

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Conferência Popular pelo Direito à Cidade

Cerca de 700 pessoas de todos os estados do Brasil, incluindo o Distrito Federal, participaram da abertura da Conferência Popular de Direito à Cidade. O evento, organizado, apoiado e financiado por organizações do Brasil e do exterior, como a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) e a União Europeia chamou a população que luta por melhoria nas condições das cidades para debater o espaço onde a vida se desenvolve.

Foto: Renata Vilela

Na cerimônia, ocorrida no Largo São Francisco, pertencente à faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), estudantes de diversos cursos, militantes de movimentos de moradia, professores, urbanistas, entre outros profissionais, se reuniram para discutir as mudanças que querem e como implementá-las.

Mas não só, já na sua carta de intenções, as mais de 200 organizações que participam da Conferência colocam como objetivos centrais a construção de uma plataforma de lutas urbanas voltada ao combate à desigualdade, a participação na redemocratização do País e, por fim, a inserção do tema das cidades nas eleições de 2022 por meio da construção de um projeto nacional.

Nesse momento de sobreposição de crises e regressões, é nosso papel recolocar horizontes e desbloquear o futuro que hoje se encontra interditado.

Carta da Conferência Popular pelo Direito às Cidades

Como afirma a carta, o papel da conferência é fortalecer a luta pela democracia nas cidades: "nos bairros, nas escolas, nas igrejas e também nas universidades - que, nas últimas décadas, se difundiram pelo território nacional e foram obrigadas a abrir espaço para camadas populares por meio de ações afirmativas".

Esforço coletivo por mudanças estruturais na sociedade

Segundo os conferencistas, as cidades brasileiras possuem uma lógica escravagista, que manteve uma dinâmica excludente. Dinâmica que empurrou a população mais pobre para as periferias.

Além da localização, e do esforço de acessar o centro para trabalhar, os territórios acessíveis para a classe trabalhadora quase sempre são carentes em todo o tipo de infraestrutura. O que acentua as desigualdades e cria um mercado residencial "discriminado e ilegal", que reproduz uma realidade perversa e que nega aos pobres o direito à cidade.

Para superar essa situação, e construir uma realidade nova, a Conferência acredita que é necessário "disseminar a informação e travar a batalha de ideias" e garantir que os recursos públicos sejam direcionados à transformar as cidades em territórios mais justos.

É preciso disseminar a informação e travar a batalha de ideias, resgatar a utopia das cidades como lugar do viver juntos, como o espaço da vida em comum, onde todas e todos podem ser socialmente iguais, humanamente diferentes e livres de opressões, explorações e discriminações.

Carta da Conferência Popular pelo Direito às Cidades