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Compra de 'kits antiestresse' pelo BB é uma afronta a bancários em sofrimento e adoecimento mental

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O adoecimento mental dos bancários tem aumentado vertiginosamente, segundo pesquisas feitas por associações e sindicatos da categoria. Ainda ontem (25), o Ministério Público do Trabalho de Campinas, em parceria com a Unicamp, realizou um seminário com uma mesa cujo tema foi Assédio e Suicídio ligado ao Trabalho. Na ocasião, Mauro Salles, representante da Contraf-CUT, falou sobre a situação que os bancários vivem atualmente.

Contudo, frente aos graves casos de adoecimento mental, depressão, surtos e até suicídios, a Diretoria de Tecnologia do Banco do Brasil abriu um "processo para a compra de 1,2 mil “kits antiestresse” - que contêm um massageador manual para cabeça com esferas nas pontas e uma bola antiestresse emborrachada com cravos na superfície". A informação foi divulgada pelo site Metrópoles na quarta-feira (25). Segundo o site, "a previsão é de que os kits saiam por R$ 31 mil, ou seja, R$ 25,83 cada um".

Dentro da categoria, a noícia repercutiu muito mal: "A recuperação da auto estima para quem já sofreu assédio moral é um caminho muito doloroso. Essa compra de kits joga a culpa da pressão e da opressão no assediado, como se o kit fosse resolver o seu stress, mal humor e sua inadequação. É um crime", afirmou uma bancária em um grupo de mensagens.

Outra bancária ainda completou: "A culpa é do empregado, que 'deixou' de se cuidar, 'deixou' de cumprir as metas e por aí vai. Um kit desses é um retrocesso, é inadmissível".

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Metas, avaliações, remuneração variável e assédio moral

Especialistas afirmam que o estresse, a depressão e o adoecimento dos bancários não se devem a questões individuais, mas sim à pressão no ambiente de trabalho. Segundo Luci Praum, professora da Universidade Federal do Acre e pesquisadora do tema, "O aumento da produtividade exigido ultrapassa a capacidade física e mental humana".

Roberto Heloane, porfessor da Unicamp e também pesquisador do tema, acrescenta: "As novas formas do trabalho destroem o coletivo e dessa forma permitem o assédio, que é produto da solidão". Em outras palavras, o professor admite que a culpa do adoecimento mental ligado ao trabalho advém de um ambiente que pressiona o trabalhador de diferentes formas até que ele adoeça.

Ou seja, nenhuma bolinha ou massageador manual para a cabeça vai fazer sumir a causa do estresse dos bancários.

Reestruturação, plano de demissões incentivadas e sofrimento dos bancários

Entre 1995 e 1996, o mesmo Banco do Brasil foi palco de uma tragédia por causa das mudanças impostas no banco para uma desejada privatização, que não ocorreu.

O adoecimento mental dos bancários tem aumentado vertignosamente segundo pesquisas feitas por associações e sindicatos da categoria. Ainda ontem (25), o Ministério Público do Trabalho de Campinas junto a Unicamp, realizou uma mesa cujo tema foi Assédio e Suicídio ligado ao Trabalho, com presença de Mauro Salles, representante da Contraf-CUT falando sobre a situação que os bancários vivem atualmente.

Contudo, frente aos graves casos de adoecimento mental, depressão, surtos e até suicídios, a Diretoria de Tecnologia do Banco do Brasil abriu um processo para a "compra de 1,2 mil “kits antiestresse” que contêm um massageador manual para cabeça com esferas nas pontas e uma bola antiestresse emborrachada com cravos na superfície", conforme noticiou o Metrópoles, também no dia de ontem. Ainda segundo a notícia, "A previsão é de que os kits saiam por R$ 31 mil, ou seja, R$ 25,83 cada um".

Dentro da categoria, a notícia repercutiu muito mal: "A recuperação da auto estima para quem já sofreu assédio moral é um caminho muito doloroso. Essa compra de kits joga a culpa da pressão e da opressão no assediado, como se o kit fosse resolver o seu stress, mal humor e sua inadequação. É um crime", afirmou uma bancária em um grupo de mensagens.

Outra bancária ainda completou: "A culpa é do empregado, que “deixou” de se cuidar, “deixou” de cumprir as metas e por aí vai. Um kit desses é um retrocesso, é inadmissível".