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Complexo Econômico-Industrial da Saúde pode ser saída para a crise

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A falta de um Complexo Econômico-Industrial da Saúde foi revelada pela pandemia, mas pode ser a oportunidade para o Brasil se reerguer.

Falta de respiradores, falta de máquinas de hemodiálise, falta de UTI, falta de vacinas, falta de medicamentos. No Brasil a “falta” foi uma das constantes no enfrentamento à pandemia de Covid-19.

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Segundo especalistas, já faz tempo que essa falta é percebida no Brasil. Isso ocorre por causa da relação de dependência de remédios, vacinas e equipamentos do exterior. O tema foi posto em pauta em um debate promovido na última segunda-feira (26) pelo Conselho Federal de Economia (Cofecon).

José Cassiolato – professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Carlos Gadelha – economista e coordenador do Centro de Estudos Estratégicos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); Denis Gimenez – professor do Instituto de Economia da Unicamp e diretor do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) e o professor Dr. Antonio Corrêa de Lacerda – presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon) falaram sobre os desafios e oportunidades do País na área a Saúde.

Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) 4.0

O conceito do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis) foi desenvolvido no início dos anos 2000 para captar a relação entre saúde e desenvolvimento. Conforme a Organização Panamerica de Saúde (OPAS), o complexo industrial da saúde é composto por:

  • Indústrias de base química e biotecnológica que produzem remédios, vacinas e terapias;
  • Indústrias de base mecânica, eletrônica e de materiais que produzem equipamentos hospitalares;
  • Prestadores de serviço como: hospitais, laboratórios, entre outros.

A articulação desse espaço econômico com os aspectos políticos e sociais da saúde são o objeto da pesquisa sobre o Complexo Econômico-Industrial da Saúde 4.0 no Brasil. A pesquisa busca aliar a análise e o desenvolvimento de uma base produtiva, calcada na ciência, na tecnologia, direitos sociais e questão ambiental.

Para tanto, a pesquisa conta com a participação de dez instituições de ensino superior e 35 pesquisadores. “O mundo pós-pandemia será um mundo radicalmente diferente”, avalia o professor José Cassiolato, que debruça – junto com o grupo de pesquisadores – sobre as bases de uma nova forma de desenvolvimento para o País.

Na opinião de Carlos Gadelha, para que aconteça, será preciso aliar Celso Furtado e Sérgio Arouca – o primeiro, um dos mais renomados economistas do Brasil e o segundo, um os mais importantes sanitaristas, que lançou as bases do SUS.

A revolução tecnológica 4.0

As marcas da revolução 4.0 são a automação, o uso da inteligência artificial, de robôs entre outras inovações tecnológicas. Muitos acreditam que ela já está em curso; outros acham que novas descobertas que levem a mudanças mais radicais na produção ainda estão por vir.

De qualquer modo, hoje já é possível sentir alguns efeitos das recentes tecnologias. O mais negativo deles, sobre o trabalho – ou a falta de trabalho. Atualmente o Brasil conta com 14 milhões de desempregados, fora os desalentados e os subocupados. Porém, ao contrário da maior parte dos segmentos econômicos nacionais, há empregos na área de Saúde.

Com base nos dados da PNAD, Denis Gimenez aponta que de 2012 a 2019 houve uma expansão de 35% dos empregados na área da saúde, ao contrário da população ocupada, cujo crescimento foi de apenas 6%. “Atualmente, 10% da população ocupada trabalha no complexo da saúde. São empregos de boa qualidade, com remuneração acima das média do mercado e distribuídos em todo o território nacional”, ressalta o professor.

Para Gadelha, o CEIS poderia ser a base econômica do SUS. “Atualmente, ele já representa 9% do PIB e 8% dos empregos”, disse o economista da Fiocruz, afirmando ainda que é uma área chave da 4ª revolução industrial.

“O espaço da democracia será definido pelos rumos que a ciência irá tomar”, afirma Gadelha

Para além da questão econômica, a proposta dessa nova matriz de desenvolvimento para o Brasil pode atenuar diversos problemas: o acesso à saúde, os direitos sociais e a questão ambiental.

A financeirização do capitalismo têm criado poucos bilionários e bilhões de miseráveis, além de consumir os recursos naturais do planeta com cada vez mais voracidade. Uma mudança não é só desejável, mas dela depende o futuro da humanidade.

“Isso passa pela redefinição do papel do Estado. O Estado volta ao centro do debate”, expôs Cassiolato.