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Cofecon: Num eventual governo Lula, tenderá a equilibrar mais a função do Estado sem retirar o espaço da iniciativa privada

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O que muda na economia se lula ganhar

"Nós temos uma elevação da inflação global em função aos aspectos relacionados à pandemia, ao lockdown mais recente na China e também da Guerra entre Rússia e Ucrânia". Foi com essa avaliação que o presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Antonio Corrêa de Lacerda, abriu a coletiva de imprensa promovida nesta quinta-feira (30) pela autarquia.

Apesar dos problemas serem de ordem mundial, o Brasil tem se saído muito pior do que outros países de mesmo porte, explicou Lacerda. Isso porque, segundo ele, a taxa básica de juros tem sido a única política econômica realizada pelo governo para conter o aumento dos preços. Dessa forma, o Brasil atingiu uma das maiores taxas básicas de juros do mundo e os prejuízos decorrentes dessa política econômica são péssimos, principalmente para a população mais pobre.

Principais problemas da atual política econômica

"A taxa de juros alta trava a economia", ressaltou o conselheiro e coordenador da Comissão de Política Econômica do Cofecon, Fernando Aquino. O economista lembrou que o desemprego elevado, concentração de renda exagerada e altíssimo crescimento do endividamento público são ocasionados pelos grandes patamares da taxa.

O crescimento do endividamento público faz com que o Estado não consiga fazer investimentos, o que piora ainda mais a vida da população.

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Continuidade ou mudança?

A única possibilidade de mudança da política econômica são as eleições, segundo os três economistas presentes ao evento. "Caso Bolsonaro se mantenha como presidente, a política econômica seguirá neoliberal", afirmou Paulo Dantas da Costa, vice-presidente e coordenador da Comissão de Reforma Tributária do Cofecon.

Assim, só haverá uma mudança de paradigma - com a inclusão de outras medidas para combater a inflação - com a eleição de outro candidato. Caso seja Luiz Inácio Lula da Silva - pré-candidato com a maior parte das intenções de votos segundo as pesquisas - Lacerda projeta uma série de mudanças.

A margem de manobra é pequena, mas Lula poderá fazer mudanças

Lacerda acredita que a principal mudança econômica, caso Lula vença, é uma outra visão do papel do Estado e também da política econômica. "O atual governo acredita que o Estado tem que se retirar da economia e todo o restante ficaria ao sabor do setor privado. Mas a gente sabe que as boas práticas internacionais são muito diferentes. Então, um eventual governo Lula, tenderá a equilibrar mais a função do Estado sem retirar o espaço da iniciativa privada", esclarece o economista.

"Eu acho que algumas funções básicas da política econômica serão resgatadas. Pressuporia a recriação de ministérios importantes, como Planejamento, Indústria e Comércio", exemplifica o presidente, que apoia a medida: "O governo, na sua função do Estado, precisa criar canais de interlocução com os agentes econômicos: os empresários, os trabalhadores, as instituições da sociedade e a própria população".

O ano que vem não precisa ser um ano perdido

"As limitações são grandes, mas a economia reage muito à expectativa", explica Lacerda. Nesse sentido, o economista aposta que se Lula conseguir criar um ambiente mais favoravel, com espaço para o crescimento e atividade das empresas, o petista conseguirá que em 2023 a economia tenha um desempenho melhor do que em 2022.

Isso ocorre, segundo o economista, porque a situação atual está péssima: "Estamos com uma taxa de desemprego muito elevada e uma queda na renda e isso, por si só, já é um fator de retração do mercado. Em outras palavras, não temos gandes fatores de demanda. Então, nesse sentido, existe um espaço para um desempenho um pouco melhor".

Entretando o otimismo do economista é moderado: "Os déficts são enormes - o défict social, fiscal - e isso terá que ser enfrenado gradualmente", aponta. Contudo, Lacerda conclui: "É preciso resgatar funções básicas dentro de uma visão econômica mais pluralista e não preconceituosa quanto ao papel do estado para que a política econômica possa atuar em prol do desenvolvimento".