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CNFBB: Precisamos de Bancos Públicos em favor do Brasil

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Imagem do site Recontaai.com.br

Discussões no 31º CNFBB explicitam os desafios do próximo período e apontam os rumos da luta dos funcionário do Banco do Brasil.

O 31º CNFBB foi online.

Precisamos de um banco para conduzir uma política em favor da sociedade? – foi o tema do último painel de discussão do 31º CNFBB. Participaram da discussão a vice-governadora do Piauí Regina Sousa (PT/PI), o deputado federal Cristhino Aureo (PP/RJ), Jilmar Tatto – que é pré-candidato à prefeitura de São Paulo, Kleytton Moraes – atual presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília e Elisa Figueiredo, representando a Federação dos Bancários de São Paulo.

O tema ensejou não só falas aguerridas em defesa do Banco Público, mas também histórias pessoais e exemplos da expertise do banco em ação. Nesse sentido destacou-se a fala de Jilmar Tatto, que contou que o BB foi fundamental na implementação do Bilhete Único no município de São Paulo durante sua gestão como secretário de Transportes.

Contudo, o consenso mais forte a ser apreendido desse debate foi a necessidade de união entre os funcionários do BB e a necessidade de expandir suas lutas para além dos temas corporativos. Ao contrário, é preciso que a luta e a comunicação delas se dêem em torno da necessidade do Banco do Brasil para a população e para o País.

Assim – como proposto por Cristhino Aureo – será possível criar frentes amplas, que congreguem não só parlamentares e sindicatos, mas que se expandam para outros setores. Sob o mesmo ponto de vista, o deputado atacou a fala do ministro Paulo Guedes na reunião ministerial do dia 22 de abril. “Guedes não só xingou o Banco do Brasil na reunião interministerial, ele na verdade xingou a história de milhares de pessoas que trabalharam e milhões que dependem do banco”, afirmou.

“Precisamos de alguém que lidere a economia depois da pandemia”, afirma Jilmar Tatto


Para o pré-candidato à prefeitura de São Paulo, Jilmar Tatto, a frente ampla é necessária. Porém, o petista acredita que com Bolsonaro no poder não haverá meios para salvar o BB da privatização. Ao mesmo tempo, Tatto afirma que há a necessidade de uma reforma bancária no Brasil e defende o papel do Estado na economia, principalmente depois da pandemia. “Estado é BNDES, Petrobras, Eletrobras, Caixa e Banco do Brasil”, explicou.

No mesmo sentido, Regina Sousa reafirmou o papel do Estado como redutor das desigualdades e ainda falou da importância do Banco do Brasil para que se consiga levar as políticas públicas adiante.

A importância dos sindicatos no CNFBB

Kleytton Moraes, presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, representou a visão sindical na mesa. De acordo com ele, o desenvolvimento dos municípios estão intimamente relacionados à presença de bancos e disponibilidade de crédito. Contudo, Moraes apontou que em 17% dos municípios brasileiros há apenas um Banco Público nessa situação de apoio, o que mostra a importância da manutenção deles.

Kleytton Moraes ainda explicou a situação dos sindicatos frente ao atual Governo Federal. Segundo ele, “o negacionismo de Governo Federal em relação à coisa pública impossibilita o diálogo”. Contudo, o sindicalista deu a receita para que os funcionários consigam ganhar a guerra contra a retirada de direitos e a privatização: “Temos que recorrer a prefeitos, governadores, congressistas e à sociedade”. Repetindo assim a fala de Tatto, “a chance de não haver retrocesso é a mobilização popular”.

Mudanças no trabalho, mudanças no estado

Em síntese, Elisa Figueiredo percorreu todo o debate. Em termos macro, a bancária falou sobre o papel do poder público no cenário atual do Brasil. De acordo com ela, o papel do Estado em uma sociedade desigual – como a brasileira – é promover a distribuição de renda, a geração de empregos e a inclusão.

Ela relembrou o momento atual se referindo à pandemia. Assim ressaltou o papel fundamental que o SUS desempenha. No mesmo sentido, afirmou que está claro que o Estado deve ter setor público que trabalhe em favor da sociedade. E, nesse momento de transformação do trabalho, em que há menos empregos, as privatizações são uma contradição com a necessidade dos brasileiros.