Pular para o conteúdo principal

Cinco projeções de Dilma que se realizaram sobre o futuro do Brasil após o golpe

Imagem
Arquivo de Imagem
Dilma

Há cinco anos, Dilma Rousseff sofria um impeachment e o Brasil e a democracia, um duro golpe. Segundo as palavas da ex-presidenta, em discurso feito duas horas após a votação do seu impedimento no Senado, "Senadores que votaram pelo impeachment escolheram rasgar a Constituição Federal".

Contudo, mesmo em meio à comoção de seus apoiadores, Dilma Rousseff fez uma análise do momento político do País à época, e projetou algumas das perdas que a população sofreria no futuro próximo.

VEJA TAMBÉM:
- WhatsApp: o que querem os grupos bolsonaristas no 7 de Setembro: "Intervenção militar com Bolsonaro no Poder"
- Nicolelis alerta: Delta vai explodir no Brasil em setembro

  1. "Políticos que buscam desesperadamente escapar do braço da justiça, tomarão o poder unidos aos derrotados das últimas quatro eleições."
    Após a retirada de Dilma da presidência da República, o PSDB, partido de Aécio Neves, que perdeu a eleição contra ela em 2014, tornou-se um dos partidos que mais apoiou os projetos de Jair Bolsonaro na Câmara e no Senado. Até 2020, o PSDB votou a favor de 90% das pautas do governo conforme o índice de governismo, ferramenta criada pelo Congresso em Foco.
  2. "Vão capturar as instituições do Estado para colocá-las a serviço do mais radical liberalismo econômico e de retrocessos sociais."
    A maior vitoriosa após o impeachment foi a corrente de pensamento neoliberal, que busca o esvaziamento do papel do Estado na economia. Já durante o governo Temer foram tomadas medidas que impedem a ação do País nos rumos da economia, como o Teto de Gastos. Porém, foi com a chegada de Bolsonaro e Paulo Guedes à presidênca da República que a população viu a corrosão de seus direitos trabalhistas e previdenciários. Além de uma onda de privatizações que afetou setores estratégicos do País.
  3. "O golpe vai atingir indistintamente qualquer organização política progressista e democrática".
    Dilma foi "conservadora" nessa análise. O que temos visto é que não só organizações políticas progressistas, mas sim todos os tipos de organizações estão sob ataques do governo. Sindicatos e partidos políticos de oposição sofrem tentativas constantes de descrédito, mas também conselhos profssionais, a Ordem dos Advogados (OAB), cientistas e até poderes constituicionais, como o Supremo Tribunal Federal (STF), vêm sendo alvo de campanhas de ódio e desinformação desde o golpe.
  4. "O golpe é contra os movimentos sociais e sindicais e contra os que lutam por direitos em todas as suas acepções, direito ao trabalho e a proteção de leis trabalhistas, direito a uma aposentadoria justa, direito à moradia e à terra, direito à educação, à saúde e à cultura."
    Uma das primeiras medidas após a retirada de Dilma do poder foi a tentativa de aprovação de uma Reforma da Previdência. Sob Temer, a tentativa falhou, mas sob Bolsonaro ela prosperou, assim como as sucessivas reformas trabalhistas. No mesmo sentido, os governos que sucederam Dilma se preocuparam em manter a terra e a moradia na mão de poucos. O PL da Grilagem, a falta de demarcação de terras indígenas e quilombolas são exemplos. A Educação sofreu com um troca-troca de ministros, enquanto a cultura foi rebaixada de Ministério à Secretaria, e mostrou-se tão volátil quanto o "pum do palhaço".
  5. "É a imposição da cultura da intolerância, do preconceito e da violência."
    O índice de feminicídios cresceu, a intolerância religiosa vitima fiéis de cultos de matriz africana, o acesso às armas aumentou e o debate público nunca havia sido travado de forma tão violenta. Jornalistas têm sido constantemente ameaçados e agredidos e há pessoas que saíram do Brasil com medo de represálias. O assassinato da veradora Marielle Franco levou à mídia a violência política e a sensação de impunidade tão conhecida dos mais velhos.

O Discurso de Dilma durante sua defesa no Senado

Antes desse fatídico discurso, Dilma havia falado no dia anterior no Senado durante a sua defesa. Na sua fala, a ex-presidenta ainda se deteve em analisar ainda mais pormenores sobre o que estava em jogo com a sua retirada do cargo.

Segundo ela, estava em jogo "O respeito às urnas, a vontade soberana do povo brasileiro e da Constituição". Desde 1996, quando as urnas eletrônicas foram utilizadas pela primeira vez, jamais houve contestação de sua efeiciência. Entretanto, essa foi uma das principais bandeiras, ou cortina de fumaça, promovidas por Jair Bolsonaro nos últimos tempos.

A incontestável derrota que a proposta do voto impresso sofreu, parece ter colocado a pá de cal sobre a questão. Mas ainda paira o receio de que Jair Messias não aceite a derrota eleitoral que os institutos de pesquisa vêm apontando.

Outra questão apontada acertadamente por Dilma foi o fim da política de valorização do salário mínimo. Desde Jair Bolsonaro, o salário mínimo não passa por aumento real, e com a subida da inflação, seu poder de compra vem diminuindo.

Há ainda uma lista de fatos que o País vive hoje que foram previstos pela presidenta na época do seu impedimento. Relembrar esses fatos é entender que não há mágica no futuro do Brasil, na previsão e nem na escolha de um messias para salvar a nação.