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Entenda como os investimentos em educação e ciência podem contribuir para a economia do País

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Imagem do site Recontaai.com.br

Segundo o Observatório do Conhecimento, investimento nas áreas de Educação, Ciência e Tecnologia gera impacto que reflete, entre outros, no crescimento do PIB do País.

Ciência, Tecnologia e Educação foram áreas extremamente penalizadas em 2019. O contingenciamento realizado pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, em conjunto com o ministro da economia, Paulo Guedes, instalou o caos em universidades e escolas.

Em meio à discussão sobre a diferença de contingenciamento e corte, o ano transcorreu com notícias absurdas, como a falta de energia elétrica por falta de recursos em instituições de ensino superior.

Nessa situação complexa, Marcos Pontes, o astronauta brasileiro e também ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, se queixou sobre o número menor de bolsas do CNPq e afirmou que está lutando pelo investimento ao fomento.

Desqualificação do Ensino Superior no Brasil

O corte de verbas da Educação teve como justificativa a desqualificação das universidades. Cotidianamente, o ministro da Educação Weintraub fala impropérios (ofensas) sobre as universidades públicas no Brasil.

As acusações foram desde plantações extensivas de maconha nos campus, até perseguições, como o corte nos orçamentos de universidades por motivo de “balbúrdia” (algazarra).

Aumento do número de pós-graduações mostra que o Brasil já investiu em educação.

Porém, os dados comprovam uma realidade bastante diversa da apresentada pelo governo. Segundo o Observatório do Conhecimento, as universidades públicas são responsáveis por mais de 95% da pesquisa científica feita no País. E isso é fruto, também, do investimento ocorrido entre 2010 e 2018. O expressivo aumento no número de pós-graduações oferecidas em todo o País combinaram com o aumento no investimento das pós já existentes.

O ministério da Educação anunciou o descontingenciamento total das verbas das universidades em 18 de outubro. Contudo, o que poderia ser uma boa notícia mais uma vez gerou confusão. Liberando a verba somente em 18 de outubro, o MEC impossibilitou a recuperação de pesquisas que tiveram que ser descontinuadas. Visitas técnicas e atividades acadêmicas foram canceladas, sendo que não puderam ser realizadas às pressas no final do ano.

Isso prejudicou universidades, universitários e a sociedade como um todo ao longo do ano letivo.

Educação, Ciência e Tecnologia na lona

As agências de fomento à Ciência no Brasil passaram por situação parecida. CNPq, Capes, Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) também perderam recursos.

Educação, ciência e tecnologia mudaram a China e a Índia. Para isso acontecer no Brasil é preciso investimento e não cortes ou contingenciamento.

Segundo dados compilados, existe relação entre o aumento dos investimentos nas agências e a produção científica. E isso impacta diretamente na colaboração entre a ciência e a indústria nacional. O avanço dessa parceria – universidade-indústria – pode criar um pilar que garanta o crescimento econômico para o Brasil. Um crescimento econômico robusto.

EUA, o grande exemplo dos liberais

Os Estados Unidos são citados como exemplo de Educação e Ciência bancados por recursos privados. Porém, a realidade é bem distante dessa citação. A maior parte dos investimentos em pesquisa é público, e sai de agências de fomento, como a NASA.

Isso ocorre pois há uma percepção acertada de que estado precisa investir em pesquisa. A primeira explicação é bastante simples – a ciência nem sempre tem aplicação imediata no mercado. E a lógica das empresas é a do lucro. Como se sabe, o caminho científico é outro, muitas vezes mais longo.

Além disso, muitas vezes a ciência contraria os interesses do setor privado. Alternativas sustentáveis e que diminuam o consumo não servem à quem prioriza lucro, mas são fundamentais para a humanidade.

Quem comprova?

Os dados apresentados aqui foram tirados de uma compilação feita pelo Observatório do Conhecimento. Foram levantados por palestrantes no seminário “O papel da universidade pública no desenvolvimento da ciência e tecnologia, da educação e do conhecimento”. Além do Observatório, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) confirmam os números.