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Cidades: Barulhos causam impactos físicos e mentais, segundo relatório da ONU

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Barulho e poluição sonora

O bip-bip das buzinas das motocicletas dos entregadores, a construção de prédios, as músicas nos bares e outros sons são parte da paisagem sonora das grandes cidades brasileiras. E, conforme aponta o relatório "Fronteiras 2022: Barulho, Chamas e Descompasso" - elaborado por pesquisadores do Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA) -, podem ter impacto na saúde física e mental dos habitantes desses locais ao redor do mundo.

No capítulo dedicado ao tema - Escutar as cidades: de ambientes barulhentos para paisagens sonoras positivas - os pesquisadores mostram que a poluição sonora é uma questão emergente de preocupação ambiental e também de preocupação com a saúde humana.

Qual o impacto do barulho sobre a saúde física?

Os estudiosos do tema apontam que o barulho constante das cidades pode gerar uma série de doenças físicas. Entre elas, destacam-se a hipertensão arterial, distúrbios cardiovasculares, distúrbios metabólicos, diabetes, deficiência auditiva e doenças cerebrovasculares.

O relatório aponta que somente na Europa, o ruído ambiental causa 12 mil mortes prematuras ao ano e contribui para 40 mil casos de doenças cardíacas (isquemia cardíaca) anualmente. Os pesquisadores também chegaram a conclusão que no mesmo continente, 22 milhões de pessoas sofrem de ruído crônico (hiperacusia).

As consequências do barulho para a saúde mental

Engana-se quem acha que o barulho é somente um inconveniente que gera raiva nas pessoas afetadas. Um quadro de estresse foi observado em pessoas submetidas a ruídos constantes. Mas além disso, os ruídos constantes podem fazer com que as pessoas desenvolvam um comprometimento cognitivo. Em outras palavras, o barulho prejudica a atenção, o raciocínio e a memória.

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Qual a quantidade de barulho segura para a saúde?

O relatório aponta que para evitar danos à saúde da população, a exposição ao ruído constante deve ser mantida abaixo de 54 à 45 decibéis durante o dia, e de 45 a 40 decibéis durante a noite, dependendo do tipo de ruído (trânsito de carros, ferrovias, aviação, turbinas eólicas).

Os sons da natureza trazem benefícios à saúde mental

Após uma longa revisão sistemática de pesquisas científicas, os pesquisadores afirmaram que os sons da natureza tem impactos positivos sobre a saúde mental. A suspeita é que o fato derive de uma vantagem evolutiva da humanidade, que associa os barulhos da natureza a ambientes seguros.

Assim, ambientes que possuem canto de pássaros, sons de folhas ao vento, sons de insetos e produzidos por outros animais são capazes de reduzir a ansiedade e promover um descanso mental às pessoas. Já a falta desses sons naturais ocasiona um estado de vigilância e alerta, principalmente às pessoas mais vulneráveis como gestantes e idosos.

Há soluções que podem ser adotadas pelas cidades

Além dos problemas, o relatório também aponta soluções viáveis para que as cidades forneçam uma paisagem sonora mais adequada aos seus habitantes. Os especialistas afirmam que as mudanças feitas nos causadores da poluição sonora são mais eficientes.

Entre as medidas mais eficazes estão a adoção de automóveis elétricos ao invés dos tradicionais à combustão, a redução do fluxo do trânsito e da velocidade dos automóveis e a adoção de materiais mais silenciosos nas pistas de rodagem.

Porém, há ainda outras soluções que podem reduzir os inconvenientes da poluição sonora, e ainda promover mais sons da natureza:

  • A adoção de telhados verdes - com vegetação - dispersa as ondas sonoras em diversas direções reduzindo a sua intensidade;
  • O plantio de cinturões verdes de altura e biomassa adequadas bloqueia o som de rodovias e estradas com alto fluxo e grande velocidade;
  • A utilização de barreiras arquitetônicas com materiais reciclados pode diminuir em até 7 decibéis o barulho de fontes de barulho;
  • Se às barreiras mecânicas for acrescentada vegetação, a diminuição do barulho pode chegar a até 12 decibéis; e
  • Criações arquitetônicas e de engenharia que interponham barreiras entre os emissores de sons e os receptores (habitantes das cidades) podem quebrar a propagação de ruídos.

O relatório conclui que é desejável melhorar a qualidade da paisagem sonora das cidades e que diferentes estratégias podem se somar para que o resultado obtido seja o melhor possível tanto para a vida humana, quanto para animais e mesmo plantas que são parte do ambiente.