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Carne puxa a alta da cesta básica em novembro

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Imagem do site Recontaai.com.br

Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada ontem (5) pelo Dieese revela que a carne foi a vilã do orçamento.

A carne bovina de primeira teve aumento de preço em todas as cidades pesquisadas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Segundo o estudo, as altas variaram entre 1,15%, em Recife, e 19,37%, em Vitória. Isso mostra que apesar de diferente, o peso do aumento recaiu no orçamento familiar em todo o Brasil.

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

O comportamento do preço da carne teve forte alteração principalmente por quatro fatores, entre eles, a alta da quantidade de carne exportada para a China, por ocasião do Ano-Novo chinês. Além disso, causaram impacto o período de entressafra bovina, o alto custo de reposição do bezerro no Brasil e o aumento do dólar em relação ao real, que estimulou fortemente as exportações.

Nem só de carne vivem os brasileiros

Óleo de soja e do feijão também tiveram aumento em quase todas as cidades pesquisadas. O óleo de soja, ingrediente utilizado em quase todas as casas do País, teve aumento em 12 das 17 capitais pesquisadas. Segundo o estudo, a grande demanda de óleo de soja para a produção de biodiesel aumentou o preço do produto para o consumo das famílias. Já o feijão aumentou em 11 capitais, entre outubro e novembro.

As quedas ficaram por conta dos preços do tomate e da batata, principalmente. A diminuição do valor deu-se entre 17,85%, no Rio de Janeiro, e 1,21%, em Vitória. Já o preço do tomate diminuiu em 15 capitais.

Cesta básica, cidades e salários

A cesta mais cara foi econtrada em Florianópolis (R$ 478,68), seguida de São Paulo
(R$ 465,81), Vitória (R$ 462,06) e Rio de Janeiro (R$ 455,37). Já os menores valores médios foram observados em Aracaju (R$ 325,40) e Salvador (R$ 341,45).

O Dieese também fez um cálculo que estima de quanto deveria ser o valor de um salário mínimo para uma família de quatro pessoas. Segundo o estudo, no mês de novembro, o salário mínimo deveria ser de R$ 4.021,39, ou 4,03 vezes o mínimo real, de R$ 998,00. Em comparação ao mês anterior, outubro, o mínimo necessário foi de R$ 3.978,63, ou 3,99 vezes o mínimo vigente.

O índice da cesta básica é medido de acordo com a variação de 13 produtos alimentícios, estipulados pelo Decreto Lei nº 399, de 30 de abril de 1938. Esse decreto ordenou não só o valor do salário mínimo, mas também a composição da cesta de alimentos básica para o sustento e bem-estar de um trabalhador.

O Max Leno, Supervisor Técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) em Brasília, falou com a gente sobre a pesquisa. Ouça:

https://soundcloud.com/user-944955161/max-leno-supervisor-tecnico-do-dieese-em-brasilia