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Capacidade de investir do Estado só será recuperada com impostos sobre os mais ricos

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fundos de pensão, juros

De acordo com Luis Vitagliano, professor de Gestão Pública e Relações Internacionais da Unicamp, o Brasil é considerado hoje o 9º País com maior desigualdade em termos de distribuição de renda. No mesmo sentido, o docente ressalta que em termos de concentração de riqueza, o País ocupa o 2º lugar. A consequência disso é que o 1% da população mais rica concentra 49% de toda a riqueza do País.

Frente à tal situação, o Instituto de Justiça Fiscal (IJF), que atualmente realiza a campanha Tributar os Super-Ricos, convidou a ex-presidenta Dilma Rousseff para falar sobre justiça fiscal e desigualdade. Ela participou nesta terça-feira (13) da abertura do ciclo de debates “Desenvolvimento, Novas Desigualdades e Justiça Fiscal no Brasil”.

Composto por 10 encontros, o evento tem o sistema tributário como eixo condutor nas análises. 

"Nunca foi tão importante entendermos os efeitos do neoliberalismo na economia, na sociedade, na pandemia e na democracia", disse Dilma Rousseff. A ex-presidenta, que também é economista, falou sobre a necessidade de aumentar a progressividade dos impostos - maiores alíquotas para quem ganha mais - para que o Estado recupere a capacidade de investimentos.

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Dilma Rousseff também criticou a pandemia por ter acelerado as desigualdades econômicas e sociais, levando mais brasileiros à insegurança alimentar e à fome. Em sua apresentação, citou o economista Stiglitz, que em palestra no Chile afirmou que "40 anos de neoliberalismo são os maiores responsáveis pela incapacidade de enfrentar a pandemia".

Segundo Dilma, o Estado brasileiro precisa investir para atuar nas áreas prioritárias para o bem-estar da população; entre elas saúde, educação, moradia e previdência social.

A importância dos impostos sobre os mais ricos

"Os efeitos da tributação implicam necessariamente na desigualdade", explicou Dilma. Em uma breve exposição que abrangeu grande parte do século XX, a ex-presidenta contextualizou o papel do neoliberalismo na desorganização do Estado e na organização da tributação, principalmente dos super-ricos.

Nesse sentido, reafirmou: "É necessário um sistema tributário progressivo", completando que essa é uma das tarefas "mais importantes do momento".

Frente à campanha Tributar os Super-Ricos, que propõe a tributação dos 0,3% mais ricos do Brasil - o que corresponde a 600 mil pessoas -, Dilma ressaltou a necessidade da eleição de parlamentares que tenham compromisso com essa pauta.

Mais debates pela frente

O ciclo de debates foi iniciado no dia 13 de julho e segue até 28 de setembro. Ele conta com dez encontros tendo o sistema tributário como eixo condutor nas análises. Os fundamentos da desigualdade social, as transformações da sociedade contemporânea e os desafios imediatos e estratégicos serão abordados por vinte especialistas.


A atividade de formação é uma parceria entre o Instituto Lula, o Instituto Justiça Fiscal e as entidades coordenadoras da campanha Tributar os Super-Ricos.