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Caixa: Divulgação dos lucros é mais uma jogada de marketing para enaltecer a gestão de Pedro Guimarães

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O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, anunciou nesta quinta-feira (24) os resultados financeiros do Banco Público referente ao quarto trimestre de 2021. O lucro líquido foi de R$ 3,2 bilhões. No acumulado do ano de 2021, o lucro alcançou R$ 17,3 bilhões, com alta de 31,1% em relação ao ano de 2020.

O Tio Patinhas que comanda a Caixa passou toda a coletiva de imprensa repetindo incansavelmente as expressões "na minha gestão" e "nesta gestão". O marketing pesado para enaltecer o seu trabalho focou em três principais questões: o lucro exorbitante, os prêmios que o Banco Público vêm recebendo e as tão faladas ressalvas de balanços de gestões anteriores.

De acordo com o economista e diretor do Reconta Aí, Sérgio Mendonça, é curiosa essa comemoração do presidente da Caixa sobre o alto lucro e alta rentabilidade do Banco Público que possui objetivos sociais. "É no mínimo contraditório com a apresentação que destaca o mandato do Banco Público e aposta nos pequenos (empresas, agricultores, pessoas físicas)".

Mendonça diz que um lucro muito alto significa transferência de recursos de alguém para outrem. "Quem está pagando esse lucro? Os clientes com financiamentos imobiliários? Os agricultores do agronegócio? Todos os clientes que pagam tarifas bancárias? Os títulos públicos que consomem recursos do Tesouro Nacional, ou seja, da população que paga impostos? É evidente que todos pagam", explica o economista.

E é exatamente isso. Guimarães fala, fala, fala e não explica nada de nada. Joga números e mais números nos slides apresentados na coletiva e se coloca no pedestal como o salvador da Caixa. Enaltece o grande lucro alcançado pela instituição, mas não explica exatamente de onde vem todo esse lucro.

De salvador da Caixa ele não tem nada, pois sua gestão vem arduamente trabalhando para vender partes importantes e lucrativas do Banco Público. Essa é a forma encontrada por esse governo de enfraquecer as empresas públicas para depois justificar uma privatização.

"Os lucros de 2019, 2020 e 2021 foram elevados pela venda de ativos (ações do BB, da Petrobras, IRB, Banco Pan) e também pela abertura de capital da Caixa Seguridade", acrescenta o diretor do Reconta Aí.

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Desinvestimentos e venda de ativos

Guimarães acabou com a Caixa Participações, conhecida como CaixaPar. A empresa foi criada em 2009 e, segundo o presidente do Banco Público, todos os investimentos deram errado. "Entre 2019 e 2021 o nosso foco foi resolver os problemas, vender os ativos e se ganhou muito dinheiro para a Caixa Econômica Federal nessas operações", disse Guimarães.

Ele comemora o fim das operações da CaixaPar e afirma que se sente muito orgulhoso com isso. "Em 29 de dezembro de 2021 nós extinguimos a CaixaPar. Isso é muito importante. Extinguimos um veículo de investimento que basicamente deu errado em todas as operações", afirmou. Para Guimarães é menos um problema de gestão e de imagem para o Banco Público.

Durante a coletiva de imprensa, o presidente da Caixa fez uma relação dos desinvestimentos da sua gestão. Mas o que Guimarães não fala é que grande parte dos lucros exorbitantes que o Banco Público vem apresentando desde 2019 é da venda de ativos importantes da instituição.

Imagem: Apresentação Caixa / Coletiva de imprensa 24 de fevereiro de 2022

Para Mendonça, a Caixa basicamente cumpriu seu papel em 2021. Mas ressalta que a abertura de capital da Caixa Seguridade vai diminuir o lucro futuro dessa operação para o Conglomerado Caixa. "E enfraquecerá o conglomerado Caixa no futuro. Dirigentes do Banco do Brasil fizeram declarações públicas de arrependimento pela operação semelhante com a BB Seguridade", alerta o economista.

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Gestões anteriores

O Tio Patinhas, claro, não deixou as gestões anteriores da Caixa de lado. De acordo com ele, operações que foram originadas há 10, 15 anos, geraram perdas e foram provisionadas somente em sua gestão. "Quando nós assumimos a Caixa, nós tínhamos os balanço da Caixa Econômica Federal, da Caixapar, do FGTS e FIFGTS com ressalva. Várias operações originadas a 10, 15 anos atrás se mostraram inadimplentes", disse.

O presidente da Caixa segue batendo na tecla das ressalvas de balanços de gestões anteriores e se gaba por ter acabado com elas em sua gestão. No entanto, ele não explica o que são essas ressalvas e o que elas significam para o Banco Público.

"Algo assim: antes da gente tudo era corrupção, ineficiência, incompetência. Chegamos e botamos ordem na casa. E somos a gestão mais honesta da face da terra! Acreditem os incautos!", alerta Sérgio Mendonça.

É claramente mais uma jogada de marketing para reduzir a história de sucesso da Caixa dos 161 anos para apenas três anos. Assim como ele já falou inúmeras vezes que o Banco Público não dava lucro durante o governo do PT, mas um levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em 2021, mostrou exatamente o contrário (veja aqui).