Pular para o conteúdo principal

"Direção da Caixa usa nossa luta para se promover", diz aprovado no Concurso de 2014

Imagem
Arquivo de Imagem
Imagem do site Recontaai.com.br

Nesta segunda-feira, 15, dois meses após decisão judicial que obriga a Caixa a cumprir a cota social de Pessoas com Deficiência, o banco realizou a primeira etapa da convocação de PCD.

Entenda a história das convocações

Foram admitidas 174 Pessoas com Deficiência em cinco cidades; porém, a Justiça determina que sejam contratados 2.500 PCD. A Lei 8.213/91 diz que toda empresa com mais de mil funcionários tem que ser ao menos 5% de seu corpo de empregados composto por Pessoas com Deficiência.

A direção da Caixa vem divulgando a iniciativa como algo inédito, uma medida que reforçaria o caráter social da instituição. Mas a direção atual omite que essa cota só está sendo cumprida por determinação judicial e que a instituição, inclusive, recorreu ao TRT (e perdeu). Agora, a Caixa deve entrar com recurso junto ao Tribunal Superior do Trabalho.

Desrespeito ao edital

Ao cumprir o que foi determinado pela Justiça, a Caixa não cumpre o próprio edital do Concurso realizado em 2014, o maior do país. O texto determina que o primeiro candidato convocado deve ser PCD seguido de 19 convocados da ampla concorrência. São 30 mil aprovados esperando há cinco anos pela convocação e a Caixa está proibida por decisão judicial de realizar novas provas até que resolva a situação dos aprovados em 2014.


Conversamos com Natalia Dias de Oliveira, que é profissional autônoma em Cabo Frio – RJ e uma das aprovadas no concurso de 2014. Ela é administradora de seis grupos no WhatsApp com 257 aprovados cada e um grupo no Facebook com 11 mil pessoas aprovadas no concurso da Caixa. Ela diz que o processo de luta pelas convocações dos aprovados é muito desgastante. Os grupos têm organizado tuitaços semanais para chamar atenção do público e da direção da Caixa.

“Vamos organizar outros tuitaços, porque o edital está realmente sendo desrespeitado. Ontem apareceu um documento da Caixa afirmando que as contratações são administrativas, diferentemente do que tem saído na mídia, então eles estão desrespeitando os direitos dos candidatos, a isonomia do concurso. Estamos vendo com os sindicatos e os advogados, para além dos mandados de segurança, quais são as medidas legais que podemos tomar”, disse.

Os nomes foram ocultados a pedido das fontes


Ao afirmar que as contratações são administrativas (informação reafirmada em áudio do vice-presidente da instituição, Roney de Oliveira, reproduzido abaixo), a Caixa diz que não está fazendo as contratações em cumprimento adiantado da decisão judicial, e sim por necessidade administrativa da instituição, o que mostra, ainda mais, o desrespeito da instituição com o que diz o edital do próprio concurso.

Em áudio, vice-presidente da Caixa declara que contratações de PCD são administrativas
“A direção da Caixa usa nosso concurso pra se promover”

Também falamos com Josimar Santos de Oliveira, que mora em Salvador-BA e trabalha como atendente de SAC, e é mais um dos aprovados em 2014. Ele diz que o sentimento que enfrentam é de frustração e que a diretoria da Caixa usa o Concurso para se promover.

“Depois de cinco anos de luta, não esperávamos que a diretoria da Caixa fosse usar o nosso concurso pra se promover, uma vez que a iniciativa de contratar de forma administrativa, além de desrespeitar o edital do concurso, fere as relações com o Judiciário, já que a não houve o trânsito em julgado da Ação Civil Pública. A Caixa resolve convocar de forma administrativa e exclui os aprovados da ampla para mostrar que está “se tornando o banco da inclusão”. Nossa luta sempre foi conjunta, e agora a Caixa cria uma espécie de divisão no concurso. A gente não aceita, não concorda com essa realidade, e aguardamos providências”, desabafou.

O que diz a Caixa

Questionada por e-mail, a assessoria da Caixa diz que não realizará novos certames e que “as admissões serão realizadas mediante aproveitamento de candidatos habilitados no Concurso de 2014, conforme necessidade e estratégia do banco”.

Déficit de funcionários

Desde 2014, a Caixa Econômica Federal perdeu 15 mil servidores, o que representa nada menos que 16% do total da sua força de trabalho. A maioria dessas perdas se deu por meio de adesão aos Programas de Demissão Voluntária (PDVs). Neste ano, a Caixa executa um PDV que deve atingir mais 3.500 funcionários. Ou seja, mesmo que contratem as 2.500 PCD, o déficit se manterá. Em 2014, a Caixa chegou a contar com uma força de trabalho de 101 mil funcionários. Hoje, os empregados adoecem com mais frequência, e reclamam principalmente da sobrecarga de trabalho e de problemas relacionados com estresse.