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"Brasil está na contramão do mundo": confira a participação do economista Sérgio Mendonça em debate sobre privatizações

O economista e diretor do Reconta Aí, Sérgio Mendonça, participou nesta terça-feira (7) do programa Se é Público é para Todos, produzido pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo e transmitido pela TV dos Trabalhadores (TVT). O tema do debate foi o objetivo do Governo Federal de avançar nas privatizações.

Mendonça iniciou sua participação apontando que o momento para se fazer privatizações - que são ruins em si - é péssimo.

"Nós estamos passando por um período ruim na economia. Nos últimos seis anos, estamos andado de lado. Não há nenhuma perspectiva em 2022. Nesse cenário, a desvalorização de ativos. Somos contra privatizações porque se tratam de um patrimônio. Essas empresas são absolutamente fundamentais para uma estratégia de desenvolvimento. Não deveria vender em nenhuma circunstância, ainda mais em circunstâncias desfavoráveis", disse.

Como exemplo, o economista citou como, em 2014, o Brasil atingiu um patamar de investimentos equivalente a 20% do PIB. Deste percentual, 10% eram promovidos pela Petrobras - ou seja, uma estatal era responsável por investimentos equivalentes a 2% do PIB.

"Os bancos públicos fazem isso [promoção do desenvolvimento] com crédito, corrigindo desigualdades regionais e sociais. Em contexto de crise mundial e crise brasileira, querer vender o patrimônio público é um crime, eu diria, de lesa pátria. E é inacreditável, porque estamos na contramão do mundo. Os EUA, o país capitalista do mundo, está usando o Estado para se recuperar", criticou. "Em 2008, quem tirou o Brasil da crise dos supbrimes? O BNDES, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal"

O debate foi conduzido por Dionísio Reis, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa no Sindicato.

"Esse patrimônio acumulado veio de muita luta dos trabalhadores. É do povo brasileiro. Não é do governo. Nenhum governo deveria ter direito de abrir mão", complementou Reis, que defendeu a necessidade de se ouvir a população sobre processos de privatização.

José Ricardo Sasseron, funcionário aposentado do Banco do Brasil e ex-presidente da Anapar, ressaltou como, na pandemia, a importância do setor público ficou evidente, citando como a vacinação no Brasil foi viabilizada pelo SUS, apesar dos boicotes que o Sistema sofre.

"O governo tem o objetivo muito claro de favorecer o setor privado, de favorecer o lucro em detrimento dos direitos da população. A gente vê que os melhores sistemas de saúde do mundo - Canadá, Inglaterra, Cuba - são públicos", exemplificou.

Continuando em sua fala, Sasseron resumiu o debate ao afirmar que o "Estado deve servir os cidadãos": "Nos países que privatizaram a previdência na América Latina, a maioria dos idosos não tem acesso a aposentadorias. A população merece ter o imposto pago revertido para seu benefício. Uma questão fundamental, em todo o mundo, é a soberania energética. E o governo está querendo vender a Eletrobrás e a Petrobras".