Pular para o conteúdo principal

Brasil é o país que menos crescerá em 2022, diz FMI

Imagem
Arquivo de Imagem
Brasil é o país que menos crescerá em 2022

Ao contrário de outros países do mundo, o Brasil vive uma enorme estagnação de sua economia. Com base no relatório divulgado pelo FMI nesta semana, que trouxe previsões de crescimento econômico para este ano, o doutor em Economia pela USP, Emílio Chernavsky, ressaltou o fato do Brasil continuar a aparecer na última posição.

"Na previsão para o crescimento do PIB em 2022 divulgada pelo FMI nesta semana, de 30 das maiores economias do mundo, o Brasil continua a aparecer na última posição, com crescimento previsto de apenas 0,3%, muito menor que o dos demais países", ressaltou.

Embora a notícia desaponte o especialista, não é surpresa: "Tal resultado não deveria surpreender se considerarmos a continuidade das altíssimas taxas de desemprego e subemprego e a redução dos salários, o que deprime a massa salarial e restringe o consumo das famílias".

Brasil ficará atrás de países bem mais pobres, como Irã, Cazaquistão, Malásia, Egito e Filipinas na corrida pelo crescimento.

Outro fator importante que afetará o crescimento do Brasil em 2022, segundo Chernavsky, é a taxa Selic -conforme a projeção dos analistas deve atingir 11,75% no ano. "Para isso ainda contribui a alta das taxas de juros, que limita a expansão do crédito. Com crédito caro e sem perspectivas de aumento da demanda para seus produtos e serviços, o empresário tampouco investe e o governo, que poderia induzir a atividade econômica com investimentos públicos, os mantêm em níveis historicamente baixos em razão da própria incompetência e da restrição do teto de gastos que insiste em manter", explica o economista.

Leia também:
- Com trabalhadores ganhando menos, taxa de desemprego fica em 11,6%
- Usado no reajuste de aluguel, IGP-M sobe 1,82% em janeiro

A solução para aumentar o crescimento do Brasil em 2022 contraria a política econômica liberal proposta pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, lavada a cabo por Bolsonaro. Investimentos públicos e políticas anticíclicas, como as feitas pelo governo Lula durante a crise do subprime em 2008, não fazem parte dos planos da equipe econômica do governo.

Assim, Chernavsky conclui: "Sem expansão do consumo nem dos investimentos, a economia deve permanecer estagnada por mais um ano como apontam as previsões, apesar das sucessivas reformas institucionais promovidas desde 2016, cujos supostos efeitos virtuosos continuam a ser festejados apesar dos resultados até agora decepcionantes".