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Bolsonaro: Pelo terceiro ano seguido, Brasil cai no ranking de combate à corrupção

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No mesmo dia em que o ex-ministro da Educação - por quem Bolsonaro afirmou que colocaria a "cara no fogo" - foi preso em uma operação da Polícia Federal que investiga corrupção no Ministério da Educação (MEC), o País teve mais uma notícia sobre o tema.

De acordo com o resultado do Índice de Capacidade de Combate à Corrupção (CCC) divulgado hoje (22) pela Americas Society/Council of the Americas (AS/COA) e Control Risks, o Brasil diminuiu, pelo terceiro ano seguido, sua possibilidade de combater esse tipo de crime.

Ou seja, em relação aos outros 14 países pesquisados na América Latina - Uruguai, Costa Rica, Chile, Peru, República Dominicana, Argentina, Panamá, Colômbia, Equador, Paraguai, México, Guatemala, Bolívia e Venezuela - o Brasil agora ocupa o 10º lugar em capacidade de combater à corrupção, à frente apenas de Paraguai, México, Guatemala, Bolívia e Venezuela.

Fonte: Índice de Capacidade de Combate à Corrupção (CCC) 2022

A posição atual é pior do que há três anos, quando o Brasil chegou a ocupar o 6º lugar em CCC. Outro número que assusta é o de que desde a criação do ranking, houve uma queda de 22% nessa capacidade, algo que pode ser observado com a falta de ação na investigação e punição do "tratoraço", por exemplo, ou na atual operação da PF que prendeu Milton Ribeiro hoje.

"Bolsonaro procurou consolidar o controle sobre os órgãos que investigam supostos casos de corrupção envolvendo seus aliados”, destaca o estudo.

Interferências de Bolsonaro são apontadas em relatório

Uma das causas apontadas pelo estudo para a piora do resultado do Brasil no ranking foi a interferência direta de Bolsonaro em órgãos do governo. "Autoridades de dentro da Polícia Federal transferiram funcionários que estavam conduzindo estas investigações, e Bolsonaro nomeou seus aliados do Ministério Público Federal e outros órgãos para substitui-los", destacam os pesquisadores.

Além das interferências diretas, o desfinanciamento de agências anticorrupção tambem foi citado, por exemplo, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Segundo o relatório, esses cortes diminuem a capacidade de investigação de crimes de corrupção.

Outro destaque que vai além do Poder Executivo, mas ainda tem relação com o atual presidente do Brasil, é o Congresso Nacional. A falta de transparência nas alocações do orçamento federal em gabinetes de aliados chamou a atenção pela presença constante nos noticiários do País, além da enorme soma de dinheiro envolvida nas transações.

O futuro do Brasil passa pela escolha de novos representantes

Uma das únicas boas notícias que o estudo trouxe foi a de que "os retrocessos dos últimos três anos não reverteram totalmente décadas de fortalecimento institucional". No mesmo sentido, o documento projeta que antes das eleições de 2022 é provável que não tenham mudanças em relação ao tema, nem positivas, nem negativas.

Isso porque os cidadãos, transformados em eleitores nesse momento democrático, estão mais preocupados em projetos que combatam a inflação, a carestia, a questão do emprego e a queda no padrão de vida, problemas graves que afetam a maior parte da população.

Apesar de apostar que o tema anticorrupção não será o que mais mobilizará as eleições, o estudo conclui: "O resultado das eleições terá um impacto decisivo na capacidade do Brasil de combater a corrupção nos próximos anos".

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