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Bolsonaro mente em relação ao meio ambiente em discurso na ONU

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Bolsonaro voltou a mentir a respeito de questões ambientais na 76ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A principal falácia apresentada pelo presidente do Brasil ao mundo, somente no âmbito do meio ambiente, veio em forma de pergunta: “Que país tem uma política de proteção ambiental como a nossa?".

“Enquanto Bolsonaro chegava a Nova York, sobrevoávamos a Amazônia para registrar a realidade de destruição da maior floresta tropical do mundo: desmatamento e queimadas ilegais. As imagens não mentem, já não podemos dizer o mesmo do discurso do presidente na ONU”, afirma Stela Herschmann, especialista em políticas climáticas do Observatório do Clima.

Segundo o Observatório do Clima, além da tentativa de destruição da legislação ambiental do País, Bolsonaro também não tem coibido as ações que levam a imensos desastres ambientais. “O governo Bolsonaro não tem nenhum compromisso com o clima. Sob sua gestão, todos os indicadores nesta agenda só pioraram. Se o comportamento dos demais líderes globais fosse o mesmo do presidente brasileiro, a meta de estabilizar o aquecimento global em 1,5º C seria inalcançável”, afirmou o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini.

Os ataques de Bolsonaro ao meio ambiente

Conforme aponta o Observatório do Clima, o desmatamento cresceu por dois anos consecutivos e deve se manter no patamar altíssimo neste ano sob a gestão de Bolsonaro. No mesmo sentido, a devastação pelo fogo da floresta Amazônica e de outros biomas, como o Cerrado e recentemente a Mata Atlântica, ampliaram a emissão de gases do efeito estufa pelo Brasil. O Observatório do Clima ainda menciona o garimpo ilegal e a grilagem de terras, que aumentaram sob o atual governo, principalmente em localidades “fechadas com Bolsonaro”.

"Nos cinco anos anteriores ao governo Bolsonaro, a média de desmatamento na Amazônia foi de 6.719 km2, segundo o Inpe. Já nos dois primeiros anos da atual gestão, a média foi de 10.490 km2, um aumento de 56%", aponta a nota da entidade enviada à imprensa. Os dados deste ano, que serão divulgados no final do ano, provavelmente ficarão em torno de 10 mil km2 novamente.

Destruição da legislação ambiental brasileira

Além das ações ilegais, muitas vezes incentivadas por Bolsonaro, a legislação ambiental sofre com a tentativa de destuição feita pelo governo . O Observatório do Clima enumera os ataques:

  • Dificultação da emissão de multas ambientais por órgãos de governo, como o Ibama;
  • Paralisação de investimentos e uso do Fundo Amazônia;
  • Atualização das promessas nacionais para o clima (NDC) com previsão do aumento de emissões;
  • Ampliação do uso de termelétricas a carvão, aumentando ainda mais a emissão de gases do efeito estufa;
  • Realização insuficiente de concursos públicos para cobater o défict de servidores do Ibama;
  • Tentativa de legalização da grilagem;
  • Ataques aos direitos dos indígenas a obtenção de terras;
  • Tentativa de destruição do licenciamento ambiental;

Mentiras não apagam a realidade ambiental

“Desde o início do mandato, Bolsonaro promoveu uma agenda de destruição ambiental. Não será um discurso de dez minutos que mudará essa realidade. O único ato confiável do presidente brasileiro em favor do clima e da Amazônia seria ele apresentar sua carta de renúncia”, conclui Astrini.