Pular para o conteúdo principal

Bolsonaro diz na ONU que lockdown gerou inflação; mais uma mentira do presidente

Imagem
Arquivo de Imagem
Imagem do site Recontaai.com.br

Durante seu discurso na abertura da 76ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (21), Jair Bolsonaro culpou os decretos de distanciamento social - que chamou imprecisamente de "lockdown" - pela inflação, especialmente dos preços de alimentos.

Essa visão, entretanto, é contestada por economistas. Na verdade, se há uma relação entre distanciamento social e inflação, é a exata oposta da apontada pelo delírio de Bolsonaro, compartilhado por alguns integrantes do governo que defendem que o maior tempo dentro de casa fez as pessoas comerem mais.

VEJA TAMBÉM:
- Parece vergonha alheia mas é nossa mesmo: Bolsonaro defende tratamento precoce na ONU
- Vídeos mostram protestos contra Bolsonaro antes do discurso na ONU
- Alto valor do dólar foi o vilão dos preços dos alimentos, diz Cepea

"Num primeiro momento o isolamento produziu queda dos preços! Na reabertura, sim, teve um aumento de preços discreto", explica Sérgio Mendonça, economista do Reconta Aí. "A inflação por aqui, uma das mais altas do mundo na pandemia, foi causada pela ruptura das cadeias produtivas, pela elevação de preço das commodities, pela desvalorização cambial".

Complementarmente, a inflação crescente também é ocasionada pela falta de governo: "ausência de estoque reguladores, controle dos fluxos de capitais, pela política insana de preços da Petrobrás".

O arroz, diz Mendonça, é um caso exemplar para se entender a questão.

"Não teve nada a ver com excesso de consumo. Foram os preços internacionais e a desvalorização do real que empurraram os preços do arroz pra cima. Mesma coisa com a carne e com a soja. Todos esses preços foram determinados fora do mercado doméstico. Mas poderiam ser mitigados por políticas internas de abastecimento e até mesmo de impostos", defende.

A intervenção de Bolsonaro durante a Assembleia Geral da ONU buscou combinar parte de sua retórica radicalizada e conservadora com a ideia de que o País está no rumo certo do ponto de vista econômico e ambiental. 

"Eles sempre jogam essas frases para disfarçar e confundir. É o estilo do governo. E nunca assumem culpa de nada", resume Mendonça.