Pular para o conteúdo principal

Bandeira ficou vermelha: alta de 52% na taxa extra da conta de luz causa impacto grande no orçamento das famílias

Imagem
Arquivo de Imagem
conta de luz

Pandemia, 14,8 milhões de desempregados, 116 milhões de brasileiros passando fome ou sem comida suficiente para se alimentar, auxílio emergencial de R$ 150,00. O Brasil está um caos e desgovernado. Como se não bastassem todos os problemas, o governo Bolsonaro decide agora que a população deve pagar 52% a mais na taxa extra da sua conta de luz - ou bandeira vermelha 2 - a partir do mês de julho.

A justificativa para esse aumento exagerado é de que o Brasil passa por um período com baixo índice de chuvas em boa parte das regiões, gerando queda do nível dos reservatórios hídricos. Na prática, o custo da bandeira vermelha 2 passa de R$ 6,24 para R$ 9,49 para cada 100 kwh (quilowatt-hora) consumidos. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), esse reajuste segue em vigor até novembro (pelo menos).

Para o doutor em economia Emílio Chernavsky, esse aumento vai impactar muito mais as famílias mais pobres. "Quanto mais pobre a pessoa, maior a parcela de sua renda que é gasta com itens essenciais, como é o caso da alimentação e também da energia elétrica. Por isso, o aumento impacta mais as classes mais baixas", explica.

Mas o brasileiro não vai pagar somente a conta de luz da sua residência. Esse aumento da energia terá efeito relevante para os diversos setores econômicos, segundo o economista. "A energia compõe o custo de todos os bens produzidos e serviços prestados no País. Quando seu preço aumenta, todos os preços tendem a aumentar, alguns mais, outros menos, pressionando a inflação", acrescenta.

De acordo com Chernavsky, com preços mais altos, sobram menos dinheiro no bolso do consumidor. "As pessoas compram menos, reduzindo a demanda das empresas que, com isso, deixam de contratar trabalhadores, contribuindo para a manutenção das altas taxas de desemprego", alerta.

Leia também:
- Veja quatro mentiras sobre a privatização da Eletrobras
- Privatização da Eletrobras pode aumentar em 14% a conta de energia

Privatização não diminui a conta de luz

Mais uma vez o Brasil passa por uma crise energética. Não é a primeira e nem será a última, como diz o diretor do Reconta Aí, Sérgio Mendonça. "O País tem a sua matriz energética em hidroeletricidade e tem que planejar com muito cuidado e antecedência a oferta de energia para os momentos de crise hídrica como esse que estamos enfrentando", diz.

Mendonça alerta que estamos passando por um momento onde o risco de se ter um racionamento é muito alto. "Só é menor em função dos investimentos em usinas termoelétricas feitos nos últimos anos, investimentos que foram iniciados no governo FHC e ampliados significativamente nos governos Lula e Dilma", explica.

A Aneel diz que o gasto com o acionamento das usinas termoelétricas é muito alto. Para garantir o fornecimento de energia em 2021 o custo será de R$ 9 bilhões aos consumidores. No entanto, as termoelétricas já estão em uso emergencial desde janeiro e até abril o acionamento destas usinas custou R$ 4,3 bilhões.

Para o diretor do Reconta Aí, ainda que o acionamento das termoelétricas assegure parte da oferta de energia que não será gerada pelas usinas hidroelétricas, o risco de racionamento ainda é muito alto. Mendonça destaca ainda que a postura privatizante do atual governo e a forma como ele idolatra o mercado 'como o solucionador dos problemas' contribuirá para futuras crises como essa.

"Não há como enfrentar esses riscos de futuras crises energéticas sem um planejamento liderado pelo Governo Federal e apoiado nas empresas estatais como Eletrobras, Itaipu, Furnas e Petrobras. Deixar ao sabor do mercado esse setor significará penalizar as famílias pagando por uma energia cada vez mais cara e escassa", finaliza.