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Bancos públicos, financiadores do desenvolvimento e crédito

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Ferramentas importantíssimas para o desenvolvimento do Brasil, os Bancos Públicos têm um papel fundamental na oferta de crédito para o País

O segundo dia do ciclo de debates “Reforma do Sistema Financeiro Brasileiro”, realizado nesta quarta-feira (24), colocou em pauta os bancos públicos.

Participaram do encontro a representante dos empregados da Caixa no Conselho de Administração e coordenadora do comitê nacional em defesa das empresas públicas, Rita Serrano; o professor do Instituto de Economia da Unicamp  Fernando Nogueira Costa, e Roberto Smith, ex-presidente do Banco do Nordeste.

Em meio ao projeto neoliberal de governo, bancos públicos têm se tornado alvo das privatizações, assim como outras estatais brasileiras. À frente da pasta da Economia,  Paulo Guedes defende o modelo do Estado mínimo e o de mercado máximo.

Para Fernando Nogueira, isso pode ser entendido como  “um bom negócio do ponto de vista microeconômico, não macroeconômico”. Para ele, é preciso respeitar a democracia e o patrimônio público do Brasil. “Não se pode destruir o Estado e deixar para os futuros governantes um espaço institucional vazio”, avalia.

E o que os Bancos Públicos têm a ver com o desenvolvimento?

Bancos públicos têm um papel fundamental na oferta de crédito, que é um indutor da geração de empregos e renda. Bancos privados também emprestam dinheiro, mas com importantes diferenças.

A representante eleita do Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano, aponta que a lógica que os orienta, traz a resposta.

“Há uma diferença simples entre o público e o privado. Tudo aquilo que é público tem um olhar sobre o interesse dos cidadãos e cidadãs e da melhoria da qualidade de vida das pessoas. Já o que é privado, leva em conta o olhar do consumidor.” 

O professor Fernando Nogueira Costa, por sua vez, apontou que há ainda uma outra contribuição fundamental dos Bancos Públicos ao País: a desconcentração do crédito. Em suas pesquisas, o professor encontrou dados que mostram que os Bancos Públicos irrigam com dinheiro (crédito) cidades em todo o País, o que gera uma descentralização do crédito.

Já os bancos privados captam dinheiro, via poupança, pagamento de juros de cartões, entre outros, e “despejam” o crédito nos centros financeiros do Brasil, concentrando o crédito.

Saídas para a crise gerada pela pandemia

Rita Serrano e o professor Nogueira Costa concordam que a privatização é o pior caminho para lidar com a crise. Isso porque ao vender uma empresa, recebe-se o valor por ela apenas uma vez. 

“Você desmancha o instrumento de fomentar o crescimento”, diz Nogueira Costa, ressaltando que isso impede uma série de medidas que podem gerar desenvolvimento do país. Dentre elas,  o investimento em construção civil, infraestrutura sanitária, financiamento da mobilidade urbana e a urbanização das favelas.

Outro fator é o impacto do lucro com a venda de estatais para o déficit do País. “As privatizações de Bancos Públicos dão um valor ridículo no balanço do déficit brasileiro. E tiram a oportunidade do Estado seguir lucrando”, explica o professor.

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