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Banco Mundial aponta que crescimento da América Latina é mais lento que o esperado

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O relatório para a América Latina do Banco Mundial lançado em novembro não traz boas notícias. Isso porque apesar do arrefecimento da pandemia em diversos países da região, incluindo o Brasil, a crise econômica por conta do coronavírus está demorando mais para passar que o esperado. Conforme descrito no resumo executivo do relatório, "as marcas na economia e na sociedade levarão anos para cicatrizarem".

Isso porque, segundo o Banco Mundial, os custos sociais da pandemia foram devastadores em toda a região. No Brasil, o aumento da fome e da insegurança alimentar já era noticiado antes da tragédia do covid-19 e atualmente ganhou contornos ainda piores. Já em todo o resto da região, sem considerar o Brasil, os índices
de pobreza aumentaram de 24% para 26,7%. A medida utilizada foi renda domiciliar per capita de até US$ 5,50/dia. Esse foi o aumento mais alto em décadas.

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Outra questão preocupante é a escolarização de crianças e adolescentes. O relatório aponta que os estudantes da região perderam entre um e um ano e meio de aprendizado. E esse foi um fator que ajudou diminuir o Índice de Desenvolvimento Humano da ONU em toda a América Latina e Caribe.

Os desafios da América Latina para o próximo período segundo o Banco Mundial

O Banco Mundial aponta que há enormes desafios a serem vencidos para uma recuperação econômica vigorosa da Amérca Latina. Entre elas, a eliminação da recorrência do vírus, para evitar surtos que paralisem a atividade produtiva e a resolução das dívidas do setor privado produtivo da região, com um um importante papel de bancos sólidos, assim como os bancos públicos brasileiros, no oferecimento de crédito.

As projeções de crescimento econômico do Banco Mundial para a América Latina e Caribe mostram que a economia da região crescerá pouco no próximo período. Para 2022 e 2023 o Banco Mundial prevê um crescimento de 2,8% e 2,6%, respectivamente, e atribui esse crescimento timido não só à pandemia, mas a década anterior (2010-2019). Isso mostra que os principais problemas da região não são conjunturais, como a pandemia, mas estruturais, como as deficiências históricas no investimento em "infraestrutura, educação, política energética, capacidade empresarial e inovação".

Tecnologias de transferência de renda e contra a mudança climática passam a ser a aposta para um crescimento mais acelerado e igualitário na região

Para superar a situação de atraso da América Latina o Banco Mundial oferece um receituário bastante diferente do que oferecia anteriormente. Se antes a instituição buscava implementar o modelo neoliberal para os países da região, hoje ela indica uma revisão de prioridade de gastos.

Entre elas, o fortalecimento dos sistemas de saúde, com aumento dos gastos governamentais na área. A melhoria da eficácia e equidade na educação, também com investimentos públicos. Porém, vale apontar qu o Banco Mundial sugere que os países pobres façam uma transição do financiamento dos cursos de bacharelado para cursos de curta duração, para melhorar a mão de obra.

O Banco Mundial também orienta as transferências públicas de patrimônio, com intenção de aproximar-se dos índices de igualdade da OCDE. De acordo com o Banco Mundial programas de transferência de renda tiveram um papel importantíssimo durante a pandemia, quando grande parte da população não pode se sustentar por meio do trabalho. No mesmo sentido, o Banco Mundial acredita que a busca pela igualdade econômica pode ajudar no crescimento dos países da região.

O documento mostra que a infraestrutura e o investimento em tecologias verdes de geração de energia são grandes espaços a serem desenvolvidos na região. A substituição de fontes de energia poluidoras por novas tecnologias e a exploração de medidas de conservação podem gerar lucros aos países que ainda não devastaram seus territórios como os países desenvolvidos.