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Banco Central justifica estouro da meta de inflação

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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, justificou nesta terça-feira (11) os motivos da inflação ter ficado bem acima do limite do teto da meta estabelecido em 2021. Ele enviou uma carta ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao Conselho Monetário Nacional (CMN) justificando a inflação ter fechado 2021 com alta de 10,06%. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do País, foi conhecido hoje.

No ano passado, o IPCA atingiu quase o dobro do teto fixado pelo CMN. Definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o centro da meta é de 3,75% para 2021, admitindo um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O limite inferior era de 2,25% e o teto da meta foi de 5,25%.

Criado por uma lei de 1998, o regime de metas de inflação foi regulamentado por um decreto do ano seguinte. É por conta destas regras que Campos Neto teve que encaminhar uma carta a Paulo Guedes.

De acordo o decreto de 1999, a carta deve ser redigida toda vez que a inflação estourar o piso ou o teto da meta anual. O texto deve conter "descrição detalhada das causas do descumprimento", as "providências para assegurar o retorno da inflação aos limites estabelecidos" e o "prazo no qual se espera que as providências produzam efeito".

O documento publicado hoje pelo Banco Central cita que os principais fatores que levaram a inflação em 2021 a ultrapassar o limite superior de tolerância foram "forte elevação dos preços de bens transacionáveis em moeda local, em especial os preços de commodities; bandeira de energia elétrica de escassez hídrica; e desequilíbrios entre demanda e oferta de insumos, e gargalos nas cadeias produtivas globais".

Ainda de acordo com a carta, grande parte da inflação alta em 2021 foi um fenômeno global impulsionado pela pandemia de covid-19.

As pressões sobre os preços de commodities e nas cadeias produtivas globais refletem as mudanças no padrão de consumo causadas pela pandemia, com parcela proporcionalmente maior da demanda direcionada para bens”, escreveu Campos Neto. “De fato, a aceleração significativa da inflação em 2021 para níveis superiores às metas foi um fenômeno global, atingindo a maioria dos países avançados e emergentes.

O presidente do Banco Central também apontou a elevação do preço internacional do petróleo, que encareceu os combustíveis.

O principal fator para o desvio de 6,31 p.p. da inflação em relação à meta adveio da inflação importada, com contribuição de 4,38 p.p., cerca de 69% do desvio. Abrindo esse termo, destacam-se as contribuições de 2,95 p.p. do preço do petróleo, 0,71 p.p. das commodities em geral e 0,44 p.p. da taxa de câmbio”, destacou a carta.

Roberto Campos Neto também citou a bandeira de energia elétrica, que encareceu a conta de luz, no documento: "a bandeira tarifária de energia elétrica contribuiu com 0,67 p.p. em 2021, este último refletindo a adoção da bandeira escassez hídrica no final de 2021".

“O fraco regime de chuvas levou ao acionamento de termoelétricas e de outras fontes de energia de custo mais elevado durante a segunda metade de 2021, resultando em aumento expressivo das tarifas de energia elétrica”, ressaltou o BC.

A última vez em que o presidente do BC justificou o descumprimento da meta de inflação foi em 2017.

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