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Banco Central: Copom projeta 2022 com inflação elevada

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central lançou nesta terça-feira (14) sua projeção econômica para 2022 e de acordo com a ata da última reunião, a inflação deverá ser a principal preocupação para a população no próximo ano. A taxa Selic sofreu a sétima alta seguida na semana passada - último encontro de 2021 - ao passar de 7,75% para 9,25% ao ano.

No comunicado divulgado hoje, os membros do colegiado destacaram alguns pontos de atenção que podem contribuir com a alta da inflação, como a questão imobiliária na China, a possibilidade de uma nova onda da Covid-19 durante o inverno no hemisfério Norte e o aparecimento da variante Ômicron.

"...as projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 10,2% para 2021, 4,7% para 2022 e 3,2% para 2023. Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 9,25% a.a. neste ano e para 11,75% a.a. durante 2022, terminando o ano em 11,25% a.a"

trecho da Ata do Comitê de Política Monetária - Copom (243ª Reunião - 7-8 dezembro, 2021)

Para Fernando de Aquino, coordenador da Comissão de Política Econômica do Conselho Federal de Economia (Cofecon), da forma como vem sendo conduzida, a economia não reagirá em 2022. Ele explica que em 2021 houve um aumento grande da inflação em função da taxa de câmbio muito elevada e também da subida do preço do petróleo no mercado internacional. "Isso foi repassado para dentro da economia brasileira", disse. "Os setores da economia não têm conseguido recompor salários e custos", afirmou o economista, completando que a tendência também seguirá para o ano que vem, assim como o preço do dólar, que por conta do cenário nacional e internacional, permanecerá elevado.

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O que é o Copom?

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil é composto pelo presidente do Banco Central - atualmente Roberto Campos Neto - e pelos diretores da mesma instituição. As reuniões do colegiado - normalmente ocorrem em dois dias seguidos - são realizadas a fim de definir a taxa Selic que será praticada durante um período. As decisões do Copom são tomadas visando com que a inflação medida pelo IPCA situe-se em linha com a meta definida pelo CMN.

"Anunciado isso, todos os bancos sabem que o Banco Central tem o poder de manter a taxa naquele nível, então passam a negociar automaticamente dentro do nível de Taxa Selic e quando não, o Banco Central intervém no mercado e determina a taxa de acordo com a meta vigente", esclarece Aquino.

"Determinar e manter o nivel da Taxa Selic em determinado período é o principal instrumento da política monetária no Brasil", aponta o economista.

Qual a relação entre juros e inflação?

De acordo com Aquino, a principal missão do Banco Central é controlar a inflação. "Atualmente, isso é feito por meio do regime de metas para a inflação, que funciona da seguinte forma: o Governo Federal determina uma meta para a inflação de um determinado ano e por meio de alguns instrumentos que possui, o Banco Central executa uma política monetária para que a inflação fique dentro do intervalo projetado".

Nesse sentido, o principal instrumento de política monetária que tem sido utilizado para controlar a inflação é a taxa básica de juros, conhecida aqui no Brasil como Taxa Selic. "A Selic é a taxa utilizada pelos bancos para operações de creditos interbancárias e é referência para todas as taxas de juros na economia nacional", esclarece Aquino.

Aquino ainda exemplifica algumas das taxas de juros afetadas diretamente pelo aumento e pela queda na Selic: "Por exemplo, os títulos públicos de vários prazos, o crédito ao consumidor, o crédito para investimento, o crédito imobiliário".

Taxa Selic

"Quando a taxa de juros está alta no Brasil, ela atrai dólares para serem aplicados. Então, ocorre uma entrada grande de dólares e a moeda norteamericana cai. Assim as exportações e as importações ficam mais baratas", explica o economista. "Há um barateamento de custos e preços influenciados pelo preço do dólar", explica o economista.

Porém, esse não é o único efeito do aumento da Taxa Selic: o preço do crédito também aumenta. Em outras palavras, tomar crédito para a compra de bens de consumo duráveis, como casas e automoveis, fica mais caro. Logo, as pessoas têm menos condições de comprar a crédito, assim como as empresas.

E nesse ponto há um nó na economia do País: "As empresas também terão uma taxa mais alta para o capital de giro e para os investimentos, então vão investir menos, formar menos estoque e produzir menos. Isso gera uma queda nas compras na economia. Com as compras diminuindo, há menos condições de comprar e com isso dá-se o efeito de diminuição da inflação", ensina Aquino.