Reconta Aí Atualiza Aí Auxílio Emergencial 2021: mais de 40% dos trabalhadores não terão perdas de renda compensadas

Auxílio Emergencial 2021: mais de 40% dos trabalhadores não terão perdas de renda compensadas

Ao menos duas pesquisas já levantaram dados preliminares sobre os impactos da suspensão e do retorno com valor reduzido do auxílio emergencial. Segundo grupos da FGV e da Unicamp, além do efeito negativo sobre a renda da população, a diminuição do benefício também pode ter desdobramentos profundos na atividade econômica em geral.

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O Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica da Unicamp divulgou uma análise que aponta que, em 2020, “20% das pessoas obtiveram uma renda efetiva menor do que a renda habitual. De maneira geral, a renda efetiva do trabalho foi 6,3% menor do que a renda habitual” afetando todas as faixas de renda. Segundo os dados dos pesquisadores, a queda seria ainda maior sem o auxílio emergencial.

“Com a redução do valor do AE no pior momento da pandemia, a tendência é de crescimento da desigualdade de renda. Os resultados disso já estão sendo observados com o crescimento da insegurança alimentar. Outros estudos corroboram a nossa preocupação mostrando o crescimento da população que vive abaixo da linha da pobreza”, diz Ricardo Gonçalves, um dos autores da nota do Cecon da Unicamp.

De outro lado, o auxílio, na média, ampliou “a renda total das famílias em todos os décimos de renda, mas em maior magnitude nos primeiros” em 2020. Ou seja, o efeito positivo do auxílio foi proporcionalmente maior entre os mais pobres. O levantamento ainda destaca o efeito positivo sobre mulheres e negros.

“O que a nossa pesquisa aponta é que esse impacto [da redução do auxílio] será maior sobre a população negra, que estava sendo relativamente mais beneficiada. Outra consequência é que essa redução inviabiliza qualquer possibilidade de isolamento social para essas pessoas”, critica Gonçalves.

Ao medir a igualdade na renda per capita, a ausência ou presença do auxílio, impacta diretamente em seu índice: a “variação no Índice de Gini de 8,4% é expressiva e, apesar de se esperar uma superestimação, as análises anteriores convergem para um impacto redistributivo relevante”.

“Esse impacto é benéfico inclusive para as contas do governo que aumenta a sua arrecadação com impostos. Sem dúvida, o auxílio colaborou para segurar a queda do PIB nesses últimos meses e, nesse momento de agravamento da crise sanitária, a redução terá um impacto inverso. A crise sanitária e econômica tende a se agravar com o aumento da pobreza provocada pela falta de ação do Estado”, projeta o pesquisador da Unicamp.

Entre os beneficiários da medida em 2021, 43% não terão compensação de perda de renda. Estes são os que receberão o valor mínimo de R$ 150, por comporem família de uma única pessoa. Os dados, divulgados pela agência Bori, do  Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira (FGVcemif) da Fundação Getúlio Vargas, apontam que cerca de 20 milhões nesta condição serão afetados negativamente.

“Diante das evidências de que o auxílio emergencial pago em 2020 contribuiu decisivamente para uma contração menor do PIB – queda de 4,1% diante de uma expectativa inicial de 9% – é preocupante imaginar um cenário combinando o recrudescimento da pandemia e uma proteção social inadequada”, alerta Lauro Gonzalez, da FGV.

Os poucos estados que registram alguma compensação de renda nesta faixa estão situados majoritariamente nas regiões Norte e Nordeste, dado que reflete, segundo os pesquisadores, a desigualdade regional de renda existente no país.

Mesmo entre as famílias que receberão o valor intermediário de R$ 250, o novo auxílio não compensará as perdas de renda em todas as regiões.

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