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Auxílio Brasil: ministro João Roma mais confunde do que esclarece sobre benefício planejado pelo governo

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nazare

Sem citar de forma direta o Bolsa Família e sem abrir para perguntas dos jornalistas - ao contrário do que orientava o Aviso de Pauta encaminhado às redações - o ministro da Cidadania, João Roma, fez um anúncio sobre o Auxílio Brasil na tarde desta quarta-feira (20).

Misturando em falas truncadas e quase incompreensíveis o auxílio emergencial e o Auxílio Brasil, o ministro afirmou que o novo programa permanente do governo tem compromisso com as questões fiscais. Ou seja, não ultrapassará o Teto de Gastos.

Para tanto, o ministro da Cidadania afirmou que a Pasta está em contato com o Congresso Nacional -principalmente com a Câmara dos Deputados - buscando recursos que caibam dentro do orçamento já aprovado. Isso se dará, conforme explicou, prioritariamente em negociação com o relator da Comissão dos Precatórios, Hugo Motta (Republicanos/PB).

Como o governo promete que será o Auxílio Brasil

De acordo com as falas do ministro, o Auxílio Brasil sucederá o Bolsa Família. Segundo ele, o programa estará dividido em duas fases:

  • Na primeira fase, o governo pretende acabar com a atual fila do Bolsa Família, aumentando o número de atendidos de 14,7 milhões de famílias para 16,7 milhões. No mesmo sentido, o ministro explicou que a pedido do presidente Bolsonaro, até dezembro de 2022 - ano eleitoral - nenhuma família deverá ganhar menos de R$ 400. Ainda segundo o ministro, nem mesmo essa primeira fase utilizará créditos extraordinários.
  • A segunda fase do programa será permanente. Para esta, haverá um aumento de 20% sobre os benefícios pagos hoje pelo Bolsa Família, que variam de menos de R$ 100 a mais de R$ 500, de acordo com a composição familiar. O ministro também afirmou que haverá uma integração do Auxílio Brasil a outros programas, como os que contemplam a primeira infância e o combate a insegurança alimentar e nutricional.

Pronunciamento não deve atenuar as dúvidas do mercado sobre o Teto de Gastos

O pronunciamento do ministro não trouxe informações claras sobre de onde o governo retirará dinheiro para implementar o Auxílio Brasil. Por isso, é possível que mesmo com a fala do ministro o mercado não reaja positivamente. Ainda ontem (19), a Bolsa de Valores de São Paulo caiu 3,3% mesmo com a notícia do cancelamento do Auxílio Brasil, que foi desmentida pelo ministro hoje.