Reconta Aí Atualiza Aí Opina Aí Autonomia do Banco Central: “Não há urgência”, critica economista Sérgio Mendonça

Autonomia do Banco Central: “Não há urgência”, critica economista Sérgio Mendonça

O economista e diretor do Reconta Aí, Sérgio Mendonça, criticou a iniciativa de tornar urgente o projeto de autonomia do Banco Central (BC). Segundo ele, no curto prazo, não há nenhuma necessidade de aprovação desta modificação, que, no longo prazo, será negativa.

“Não há nenhuma discussão pública. Não há nenhuma necessidade de se aprovar esse projeto agora. Na verdade, isso é um ‘cavalo de troia’ em um momento em que há discussões muito mais relevantes, como a questão do desemprego, a pandemia e o auxílio emergencial”, declarou ao Jornal Brasil Atual nesta terça-feira (10).

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Lembrando que o BC já tem “autonomia operacional há duas décadas e meia”, Mendonça ressaltou que, para o atual governo, não há necessidade de alterar o estatuto do órgão para melhorar a política econômica: “Não há urgência. A não aprovação não alteraria a condução da política econômica”.

Na verdade, o que está por trás do projeto, para Mendonça, é a criação de um obstáculo institucional para possíveis alterações na política econômica no futuro, já que um governo de orientação distinta do anterior terá de conviver com um BC dirigido por membros oriundos da antiga gestão.

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“É muito sério para a economia brasileira. O Banco Central já é uma instituição muito poderosa. Ao se dar total autonomia, com mandatos não coincidentes, ele se torna praticamente um quarto poder. Entrega de vez para o mercado financeiro”, critica. “Uma tecnocracia não eleita vai poder decidir contra uma possível política econômica eleita. Isso, no futuro, pode significar um conflito grande”.

Mendonça defendeu que o caminho para a melhoria do BC é o contrário. É preciso construir um modelo que impeça que o sistema financeiro, em tese controlado pela instituição, controle o órgão. Um caminho seria estabelecer quarentenas – aqueles que atuarem em sua diretoria não deveriam poder trabalharem no mercado financeiro posteriormente.

“É necessária a independência em relação ao sistema financeiro. Por exemplo, impedindo que a diretoria do Banco Central seja composta apenas por indivíduos oriundos do mercado financeiro. Garantir a presença de servidores de carreira, de professores universitários e profissionais que não vêm do mercado financeiro”, defendeu.

Outra medida seria a publicização dos debates internos do Banco, como os que decidem a taxa de juros. “Seria interessante, poderíamos de ver como se dão as discussões lá dentro”.

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