Reconta Aí Atualiza Aí Rogério Marinho e Guedes disputam linha econômica que o Brasil adotará

Rogério Marinho e Guedes disputam linha econômica que o Brasil adotará

A reunião ministerial gerou enorme repercussão e entre os palavrões de Bolsonaro, a disputa ferrenha da linha econômica que o Brasil adotará

Guedes e Marinho estão disputando dentro do governo Bolsonaro qual será a linha econômica do Brasil.

O vídeo da reunião ministerial que ocorreu em 22 de abril e veio a público em 22 de maio mostrou palavrões, tentativas de interferência do presidente Bolsonaro na Polícia Federal e também um novo plano econômico para o País.

Acima de tudo, era sobre o Plano Pró-Brasil que ministros e o presidente deveriam ter conversado e criado. Porém, o debate discorreu sobre a salvação da economia brasileira em poucos momentos. E foi neles que o ministro Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e o ministro Paulo Guedes (Economia) discordaram sobra linha econômica a ser adotada.

O que é plano Pró-Brasil? Qual será sua linha econômica?

A apresentação da reunião ministerial foi feita pelo chefe da Casa Civil, general Braga Netto. Nela, ele afirmou que o Pró-Brasil seria um Plano Marshall. E o atribuiu ao Ministério do Desenvolvimento Regional.

Consta na transcrição que foi apresentado por Braga Netto ao presidente e aos ministros da seguinte forma: “É um programa para integrar, aprimorar ações estratégicas, os senhores vão ver que o foco, ele não é de Governo, ele é de Estado“.

Nesse sentido, o general afirma que o Pró-Brasil será divido em duas etapas. A primeira, focada na melhoria do ambiente de negócios. Para tanto, o governo pretende aumentar o número de parcerias público-privadas para a realização de obras de infraestrutura. O foco são as obras deixadas pelo governo Dilma, interrompido por um golpe.

A implementação dele está marcada para o mês de outubro, com foco em ações com respostas imediatas. Segundo Braga Netto, o motivo da escolha é ” Porque o brasileiro é o seguinte, na hora que nós lançarmos o programa eles vão começar a cobrar resultado”.

Guedes consolida sua linha econômica e ganha apoio do presidente

Ao mesmo tempo em que é apontado pela imprensa como o próximo ministro a sair do governo, Paulo Guedes é o mais elogiado pelo presidente durante a reunião. Apontado como o ministro mais importante “nessa missão aí” por Bolsonaro, sua primeira manifestação foi dizer que não se trata de um Plano Marshall.

Segundo Guedes, “A retomada do crescimento vem pelos investimentos privados, pelo turismo pela abertura da economia, pelas reformas. Nós já estávamos crescendo”, disse. Talvez comemorando o crescimento de 1,1% do PIB nacional em 2019.

Porém, na primeira fala da reunião, chama a atenção o fato de Guedes dizer que tem “ministro querendo aparecer” retomando a agenda econômica dos governos de esquerda que antecederam Michel Temer. E criticou nominalmente Rogério Marinho dizendo que acabar com as desigualdades regionais era programa de Lula e Dilma.

Além disso, o ministro da Economia avisou que a era do desenvolvimentismo acabou. Que o foco agora não são investimentos públicos e que todos os ministros devem seguir a linha do não investimento público. E ainda reafirma: “Vamos fazer todo o discurso da desigualdade, vamos gastar mais, precisamos eleger o presidente” mostrando que seu compromisso com as eleições é maior do que os brasileiros.

Rogério Marinho parte do príncipio que todos são bem intencionados

E assim, começa sua exposição afirmando que novas soluções são necessárias, já que a pandemia gerou uma crise inédita nos últimos 100 anos. Para tanto, citou o relatório do Banco Mundial que projeta em 5% a queda do PIB no Brasil, e 3% no mundo.

Nesse sentido, Rogério Marinho defende: “Em situações extraordinárias, remédios extraordinários”. Pede que mantenha-se a “mente aberta” para políticas de investimento estatal na economia como política temporária. Cita inclusive países “extremamente liberais” que estão adotando um papel diferente “como tomador de risco nesse momento em que há uma queda abrupta da liquidez.”

Rogério Marinho ainda reafirma que é difícil esperar os investimentos prometidos por outros países, quando estes estão usando os recursos próprios para salvar sua economia e seus cidadãos. Da mesma forma, Marinho afirma que os programas já implementados no Brasil, como o auxílio emergencial, podem atingir um custo de R$ 600 bi ao final da pandemia. Por isso, apela para a queda dos dogmas e pede que se avalie uma mudança de rumo no papel do Estado para a economia no Brasil.

Alemães pra cá, alemães pra lá

O ministro do Desenvolvimento Regional busca exemplificar sua teoria com dados da reunificação alemã. E discorreu sobre o esforço empreendido pelo estado para diminuir as desigualdades econômicas entre Alemanha Oriental e Alemanha Ocidental.

Guedes contra-atacou dizendo que conhece o caso da fusão das duas Alemanhas. “Eu conheço profundamente, no detalhe, não é de ouvir falar. É de ler oito livros sobre cada reconstrução dessa”. Além disso, renegou a pecha de dogmático e reafirmou que a condução da crise econômica no Brasil se dará por sua equipe extraordinária.

As torres derrubadas por Guedes

Segundo Guedes, o Brasil não abrirá mão de seguir a cartilha liberal. Ele elenca uma série de “torres” que, segundo ele, o Brasil já derrubou. A primeira foi o gasto com a previdência, que garantiu aos brasileiros 40 anos de trabalho para uma aposentadoria mínima. A segunda torre era os juros, que caíram desde que o governo Bolsonaro começou. Já a terceira torre é o congelamento dos salários.

E mais, Guedes afirma que está com a “a granada no bolso”, mas não especifica qual pilar econômico e social será o próximo a cair. E justifica: “Não tem jeito de fazer um impeachment se a gente tiver com as contas arrumadas”. Sendo isso anterior às denúncias do ex-ministro Sérgio Moro sobre a interferência de Bolsonaro na Polícia Federal.

Resta saber qual era o motivo do medo de impeachment antes do escândalo gerado por Moro. E, também, se o Brasil resiste às granadas de Guedes e ao racha ideológico no coração da política econômica do governo Bolsonaro.