Reconta Aí Atualiza Aí Quem é Greta Thunberg, a “pirralha” que mete medo em Bolsonaro. Hoje (10), Greta teve 49 milhões de alcance na rede

Quem é Greta Thunberg, a “pirralha” que mete medo em Bolsonaro. Hoje (10), Greta teve 49 milhões de alcance na rede

Nesta terça-feira (10), Bolsonaro chamou a ativista Greta Thunberg de “pirralha”. O comentário foi feito em coletiva, na saída do Palácio da Alvorada.


O assunto começou quando o presidente foi questionado sobre a morte de dois indígenas de etnia Guajajara, em um atentado ocorrido no Maranhão.


No dia dos assassinatos, Greta escreveu que os indígenas são assassinados por tentar proteger a floresta do desmatamento.


Isso foi suficiente para que Bolsonaro partisse para a agressão. “A Greta já falou que os índios morreram porque estavam defendendo a Amazônia. É impressionante a imprensa dar espaço pra uma pirralha dessa aí, pirralha”, disse.


No entanto, o presidente mexeu com a pessoa errada, pelo menos no que diz respeito à sua imagem. A sueca de 16 anos é mundialmente reconhecida por seus discursos e ações firmes contra as mudanças climáticas.

Ela, sozinha, mobiliza o mundo


Como exemplo dessa determinação, Greta passou a protestar todas sextas-feiras, desde o início de 2018, em frente ao Parlamento sueco – em Estocolmo, com uma placa feita à mão para sensibilizar congressistas sobre a questão climática.


Essa ação gerou o movimento global #schoolstrike4climate, que levou às ruas mais de 1,5 milhão de estudantes de mais de 100 países, em setembro.

“Lute pelo nosso futuro”: reprodução de imagem dos protestos na Austrália

Greta é um fenômeno também nas redes sociais


Nas redes sociais, ela coleciona mais de 16 milhões de seguidores. São 3,1 milhões no Twitter; 2.586.349 curtidas no Facebook, mais 2.743.369 pessoas que seguem suas publicações; no Instagram, Greta acumula 8,4 milhões de seguidores e tem 15,5 mil inscritos em seu canal no Youtube.

Apesar de Greta possuir perfis menores do que os de Bolsonaro nas mídias sociais, a ativista pauta a imprensa e ganha a queda de braço com o presidente. Somente hoje, até às 15h, com o alcance de grandes veículos, jornalistas e artistas repercutindo o caso “pirralha”, Greta já conseguiu mais de 49,4 milhões de impressões (vezes em que as pessoas visualizaram o conteúdo).


Sua atuação lhe rendeu o direito de falar a mais de 60 líderes mundiais reunidos na última cúpula climática da ONU, também em setembro. “Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias”, disse, entre lágrimas.

Greta é coerente em suas viagens. Para chegar a Nova York para o encontro da ONU, atravessou o Oceano Atlântico em um barco à vela. A embarcação era movida pelo vento e 100% sustentável, com painéis solares e turbinas que geravam energia pelo movimento das águas. Ela também é vegana e prega o consumo consciente.


Os críticos usam sua doença – ela foi diagnosticada com Síndrome de Asperger, uma espécie de autismo – para tentar desqualificar sua militância. Mas são muitos os que a admiram e seguem, principalmente os jovens.

Juventude que muda o mundo

Greta Thunberg nasceu em 2003, na cidade de Estocolmo, na Suécia. É filha de uma cantora de ópera e de um ator. Começou sua militância pelo clima aos 11 anos, quando desenvolveu uma depressão ao saber mais sobre as mudanças climáticas.


O ex-presidente americano Barack Obama a vê como a personificação de uma juventude que “muda o mundo”. Em abril, o papa Francisco recebeu a jovem em Roma por ocasião do segundo aniversário da “Laudato si” (Louvado seja), a segunda encíclica do pontífice.


Greta é resultado do sistema educacional sueco, que prioriza a construção do pensamento crítico ao invés do acúmulo de conhecimento. Até junho, ela estudava na escola pública Kringlaskolan.

Para a Anistia Internacional, ela é a voz de defesa dos direitos humanos. A ONG conheceu à sueca o prêmio de “embaixadora da consciência”. Seu nome também foi mencionado como um possível candidato ao Prêmio Nobel da Paz de 2019, mas o vencedor foi o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed.

Greta também foi considerada a mulher mais influente do ano na Suécia e um dos 25 jovens mais influentes de 2018.

Greta também ficou famosa pela reação nada amistosa que teve ao ver Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, na cúpula climática da ONU. O presidente norte-americano fez um tuíte sarcástico após o ocorrido dizendo que Greta parece “uma jovem super alegre”.

Acostumada com as críticas, Greta se agiganta frente a pessoas que deveriam mostrar muito mais maturidade em relação a ela, como Jair Bolsonaro. Ao saber da declaração do presidente brasileiro, Greta colocou o adjetivo “pirralha” como sua “bio” do Twitter.