Reconta Aí – Atualiza Aí Preço do arroz gera tensão entre Ministérios

Preço do arroz gera tensão entre Ministérios

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A alta do preço do arroz, que ganhou o noticiário recentemente, levou a uma explicitação de divergências entre dois ministérios do governo Jair Bolsonaro: Justiça, de André Mendonça, e Economia, de Paulo Guedes. A tensão gira em torno do pedido de explicações a supermercados e produtores sobre a elevação do valor do produto sentido pelas pessoas.

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) do Ministério da Justiça notificou entidades que representam supermercados e produtores solicitando dados que justificassem a inflação. Na quarta-feira (9), foi informado que o prazo para a apresentação das informações seria de cinco dias. A iniciativa teve aval de Bolsonaro, que divulgou a ação durante uma live.

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Negando que possa haver tabelamento, Bolsonaro afirmou: “O ministro André Mendonça falou comigo: ‘Posso botar a Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor para investigar, perguntar para supermercados por que o preço subiu?’ Falei: ‘Pode’. E ponto final”.

A Secretaria de Acompanhamento Econômico da pasta liderada por Paulo Guedes enviou então, na quinta-feira (10), um ofício ao Ministério da Justiça. Em resumo, trata-se de um pedido de explicações sobre o primeiro pedido de informações.

O teor do documento do Ministério da Economia é uma espécie de defesa dos mercados e produtores, indicando que a Justiça estaria constrangendo estes setores.

“Considerando que ameaçar os agentes econômicos por elevar seus preços em tal situação, impondo-lhes o ônus de demonstrar a justeza da sua conduta, quando inexistem critérios objetivos para tais justificações (nem pode haver), equivale a produzir um incentivo para que os agentes econômicos não imbuídos de uma atitude oportunista se intimidem e temam ser acusados e processados”, diz o ofício.