Reconta Aí Atualiza Aí População, economistas, governadores : Bolsonaro sob pressão na crise

População, economistas, governadores : Bolsonaro sob pressão na crise

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Com pesquisas de opinião apontando que a população não vê com bons olhos sua atuação ante a crise causada pela disseminação do novo coronavírus no País, Bolsonaro empreendeu dois grandes recuos políticos em apenas um dia, um deles em meio ao seu conflito com os governadores. De outro lado, economistas ainda pedem mais do governo para que o País sofra o menos possível com os efeitos da Covid-19.

Na última segunda-feira (23), o presidente da República anunciou que a possibilidade de suspensão dos salários por quatro meses seria revogada. Ainda no mesmo dia, pela noite, divulgou um pacote para estados e municípios – incluindo suspensão de dívidas com a União – e sinalizou que a divergência quanto à competência para o fechamento de rodovias ficaria com os governadores.

A Medida Provisória 927, especificamente o ponto sobre a suspensão dos contratos de trabalho foi duramente criticada. Segundo reportagens, Bolsonaro teria determinado a Paulo Guedes, ministro da Economia, que a revogação da medida fosse estudada: “Estão me batendo demais”, teria dito o presidente.

Mais medidas

Governadores das regiões Sul e Centro-Oeste, entretanto, pedem mais compensações ao Planalto. O maior temor dos executivos estaduais dessa região é como balancear a já certa queda na arrecadação do ICMS.

“Nós temos uma previsão de queda da arrecadação do ICMS que pode chegar a R$ 4,6 bilhões até dezembro. Isso afeta a economia, nossa condição de quitar compromissos. E provoca um efeito dominó, porque 25% do ICMS é repassado para os municípios”, afirmou o governador Ronaldo Caiado (DEM) à Folha de S.Paulo.

Segundo os governadores do Centro-Oeste, o prazo de seis meses para a suspensão das dívidas também é muito curto. Eles pedem ao menos um ano.

Crise econômica

Parte dos economistas criticaram a possibilidade de suspensão dos salários e, além de pedir mais iniciativas para amenizar a crise econômica que pode se instalar no País, apontam para a direção oposta a do governo.

Mesmo entre liberais, avançam ideias como uma renda básica emergencial, além da suspensão da Emenda Constitucional do Teto de Gastos.

A oposição tem utilizado o debate para esboçar alternativas à linha econômica do governo. Principal legenda de oposição no País em termos de tamanho, o PT divulgou a proposta de um “Seguro de Renda Emergencial”, no valor de R$ 1.045 para 100 milhões de brasileiros. O partido afirmou que divulgará em breve mais duas medidas que considera fundamentais para esse momento.