Reconta Aí Atualiza Aí O que aconteceu com o preço do algodão?

O que aconteceu com o preço do algodão?

Cada vez mais pequenos empresários que produzem manufaturados estão reclamando dos preços e da disponibilidade de matérias-primas: o algodão é a bola da vez

Quarto maior produtor de algodão do mundo, e com uma safra recorde em 2020, o agronegócio brasileiro tem deixado pequenas empresas de têxteis em uma situação difícil. O assunto foi levantado pela marca Brusinhas, no twitter, por meio de uma thread de explicação aos clientes.

Entretanto, o preço de outras matérias-primas usadas por empresas brasileiras também subiu. De acordo com um usuário da rede social, empresas de plásticos vêm enfrentando o mesmo problema. Assim como o setor de produtos químicos, ilustrado abaixo.

Mas afinal, o que está acontecendo com o preço das matérias-primas, ou commodities, brasileiras? O mercado nacional poderá ficar desabastecido?

A trama econômica do algodão

O economista Eduardo Reis Araújo, conselheiro do Conselho Federal de Economia, explica. Segundo ele, a produção de algodão no país é suficiente para que não haja desabastecimento do produto. “Por outro lado, temos um problema com relação ao preço desse produto vendido para a indústria têxtil”, afirma. “Isso ocorre porque trata-se de uma commoditie cotada em dólar”, complementa.

O economista ainda ressalta: “Tivemos uma valorização de 34% da moeda estrangeira. Isso faz com que para o produtor nacional, que vai comprar em reais, ela chegue à um custo mais alto”.

Mas não foram só o arroz e o algodão que aumentaram de preço. A tendência é que todos os tipos de commodities produzidas no Brasil tenham seus preços ajustados no mercado interno por causa do câmbio.

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Contudo, nem todos os preços chegam ao consumidor. Araújo explica que com o efeito da pandemia e do isolamento social, muitas indústrias tiveram sua produção encolhida durante meses, assim como houve queda no consumo de roupas. Dessa forma, nem todos os custos serão passado ao consumidor final, que adquire a roupa pronta.

O que vem de fora também nos atinge

Algodão, arroz e vinho. O descontrole do câmbio está penalizando o consumidor brasileiro.

Assim como os produtos feitos à base de commodities aumentaram de preços, os importados também. Eletrônicos e bebidas, entre outros, também estão mais caros nas prateleiras de supermercados.

“Os preços traduzem o comportamento do mercado quando há escassez de um produto”, aponta Araújo. Porém, no caso das commodities e dos importados, a situação é um pouco mais complicada. “A interferência do dólar, não é só a oferta e da demanda, mas também da cotação da moeda estrangeira”, segundo Araújo.

E agora, quem poderá nos defender?

O economista explica que no caso de mercadorias como algodão e arroz, que o Brasil também poderia importar, o governo pode acabar com as taxas de importação. Assim, haveria mais dessas mercadorias circulando no mercado interno, fazendo com que o preço pudesse baixar.

A outra possibilidade é que o governo mude a própria política econômica em relação ao dólar. Araújo explica que a taxa de câmbio está muito elevada e que isso se deve, em parte, aos juros baixos que o país vem praticando.

Porém, todas as escolhas possíveis são difíceis e influenciam não só essas mercadorias, mas os investimentos estrangeiros e até a dívida pública. Na realidade brasileira, com uma economia completamente voltada ao mercado, seriam essas as únicas possibilidades.