Reconta Aí Atualiza Aí Nova CPMF: “Vou tentar influenciar para votar contra”, diz Maia

Nova CPMF: “Vou tentar influenciar para votar contra”, diz Maia

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O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se posicionou contra a criação de um tributo nos moldes da extinta CPMF, proposta que vem sendo defendida pela equipe econômica do Planalto.

A declaração de Maia se deu em um seminário da CNI organizado em parceria com a Folha de S.Paulo. Em suas falas, o parlamentar demonstrou um desconforto geral com as propostas formuladas pelo Executivo. Em sua interpretação, caso aprovadas, levariam a um aumento da carga tributária.

“Minha crítica não é se é CPMF, se é microimposto digital, se é um nome inglês para o imposto para ficar bonito, para tentar enrolar a sociedade. Minha tese é a seguinte: nós vamos voltar à mesma equação que foi de 1996 a 2004, 9% de aumento da carga tributária”, criticou.

Neste sentido, defendeu que um possível aumento da carga seria ilegítimo: “Com um PIB de R$ 7 trilhões, R$ 600 bilhões para quê? Para que a sociedade está contribuindo com mais R$ 600 bilhões para o Estado brasileiro? Ela melhorou a qualidade da educação? Melhorou a qualidade da saúde?”.

Maia disse ser contra a criação de novas figuras tributárias, especificamente nos moldes da nova CPMF.

“Esse aí, então, que a gente sabe que é cumulativo, que é regressivo, que faz a economia parar de crescer, esse eu sou contra também no mérito”, disparou.

O governo defende a criação do chamado microimposto digital como compensação para a desoneração da folha de pagamento, que atualmente já é sinalizada para todas faixas salariais, e para uma maior isenção no Imposto de Renda de Pessoa Física.

Neste último quesito, o Planalto aventa a possibilidade de isenção até R$ 3.000 mensais – acompanhada de uma nova alíquota no topo.

Sucessão de Maia

Dado que Maia encerra seu período de comando da Câmara no início de 2021, a expectativa do Planalto era de que suas articulações com o chamado Centrão possibilitassem a constituição de uma base de apoio congressual mais estável e coesa, o que passaria por garantir a presidência da Casa e, consequentemente, menos atritos

Os últimos dias, entretanto, têm sido marcados por potenciais dificuldades nesse planejamento político: dois partidos – o MDB e DEM – ameaçam se distanciar do chamado “blocão” do governo em 2021, inclusive em relação na votação para o novo presidente.

Caso a movimentação se confirme, o Planalto deixaria de ter pouco mais de 250 deputados alinhados para ter cerca de 200 parlamentares na Câmara.