Reconta Aí Atualiza Aí “Ninguém quer assumir a paternidade do mal”, diz oposição sobre Reforma Administrativa

“Ninguém quer assumir a paternidade do mal”, diz oposição sobre Reforma Administrativa

A oposição criticou e ironizou a movimentação estudada pelo Ministério da Economia de aproveitar algum projeto legislativo já presente no Congresso para fazer avançar a Reforma Administrativa. A ideia havia sido ventilada após dificuldades na finalização de uma proposta do próprio Planalto.

“O governo não quer assinar o texto. Ninguém quer assumir a paternidade do mal”, disse Alice Portugal (PC do B-BA), uma das coordenadoras da Frente Parlamentar Mista do Serviço Público.

A fala ocorreu durante um seminário realizado pela Frente nesta quarta-feira (12), na Câmara dos Deputados, intitulado “Reforma Administrativa e Desmonte do Estado como Projeto”, do qual participam parlamentares e representações de entidades sindicais. Eles também reforçaram a convocação de uma mobilização nacional contra a reforma administrativa para o próximo dia 18 de março.

Ato Político pela valorização do serviço público no Brasil. Foto Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Ato Político pela valorização do serviço público no Brasil. Foto Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Carmen Foro, secretária-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), pontuou que o engajamento contra a reforma administrativa deve ser precedida por outras datas de mobilização.

“A greve dos petroleiros e dos trabalhadores dos Correios são um sinal de que nós teremos um ano de muita luta. No dia 8 de Março, temos que promover uma grande mobilização, até porque boa parte dos serviços públicos, como saúde e educação, passa pelas mãos das mulheres”.

“Essa mobilização é ampla, em defesa do serviço público, dos trabalhadores e do Brasil. Não podemos perder as carreiras, as conquistas, os concursos. A oposição, com sua pequena estrutura, vai acolher as entidades em sua mobilização [no dia 18]”, complementou Portugal.

A fala de Paulo Guedes, chamando os servidores públicos de “parasitas”, foi relembrada diversas vezes no evento. O senador Fabiano Comparato (Rede-ES) foi um dos que criticou a postura do ministro.

“Não foi à toa que o filme Parasita foi eleito o melhor filme no Oscar. Ele retrata a casta dominante e a casta dominada, como aqui. Eu tenho muito orgulho de ser servidor público há 27 anos. Parasitas são os banqueiros. Parasita são eles. O Estado tem de ser máximo, é obrigação constitucional”, defendeu.