Reconta Aí Atualiza Aí Caixa Se liga Aí “Não toque em meu companheiro”, uma história real de solidariedade

“Não toque em meu companheiro”, uma história real de solidariedade

O documentário de Maria Augusta Ramos “Não toque em meu companheiro” estreia em 15 de julho em serviços de streaming

O ano era 1991; o presidente, Fernando Collor e o projeto econômico era neoliberal e privatista. A partir daí desenrolou-se uma história de solidariedade entre os trabalhadores que comove e angustia, como definiu a cineasta Maria Augusta Ramos.

Em 1991, os mais de 300 mil bancários de todos os bancos e em todo o País realizaram uma greve que durou 21 dias. Como conta um dos personagens do documentário, Jair Ferreira: “Naquela época, greve era greve e o dinheiro parava de circular”. Assim, logo que a greve foi considerada ilegal em 30 de setembro, muitos bancários voltaram ao trabalho temendo represálias. Mas, segundo Jair Ferreira, a Caixa não o fez. Os trabalhadores do Banco Público aguardaram a assembleia dos trabalhadores e, assim, as lideranças do movimento foram demitidas.

Foram 110 servidores injustamente demitidos. Os trabalhadores atacados pela direção da Caixa localizavam-se principalmente em Belo Horizonte, Londrina e São Paulo. E a partir daí surgiu uma resistência que durou um ano e foi apoiada por muitos bancários.

Durante um ano, os 110 demitidos da Caixa foram sustentados por seus colegas. De acordo com Jair Ferreira, um dos demitidos, 35 mil empregados autorizaram desconto em folha: “Para manter o nosso fundo de sustento e assegurar que esses companheiros tivessem como prosseguir a luta pela reintegração. Isso ocorreu com a colaboração da Fenae, que organizou o movimento e convidou Maria Augusta Ramos para contar essa história.

Não toque no meu companheiro é histórico e atual

De acordo com a diretora do filme, Maria Augusta Ramos, assim que recebeu o convite para contar essa história, começou a pensar nas coincidências e na atualidade. “A minha proposta foi retratar e contar essa história, mas também de traçar um paralelo entre o período Collor e suas políticas neoliberais com o governo Bolsonaro”. 

Acompanhar as intenções – e as políticas economômicas do ministro Paulo Guedes – a fez despertar para o “velho novo” discurso da privatização da Caixa e de outras estatais. A cineasta, que junto ao pesquisador Zeca Ferreira fez uma extensa pesquisa sobre as propagandas do presidente Collor, mostra as semelhanças com o momento atual: “O mesmo discurso pró-família, conservador, de Estado mínimo e contra os servidores”.

Assim, ela elaborou um filme emocionante que parte da perspectiva dos demitidos à época e também com forte lastro histórico. Reportagens, propagandas e discursos foram recuperados em arquivos do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, em emissoras de TV e até no arquivo da ONU. Nesse sentido, a memória de quem viveu os processos guia o espectador por um tempo que guarda bizarras correspondências com a atualidade.

Acompanhe o trailer e assista ao documentário “Não toque no meu companheiro“, a partir do dia 15 de julho nas plataformas de streaming NetNow, Oi Play, FilmeFilme e Looke.